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Correio Braziliense

Duas pedras esculpidas há 1.000 anos são achadas em um jardim inglês

Especialista holandês em arte entregou à Espanha duas pedras esculpidas, de valor inestimável, que foram roubadas há 15 anos de uma igreja espanhola


postado em 22/01/2019 15:47 / atualizado em 22/01/2019 16:01

Arthur Brand, o
Arthur Brand, o "Indiana Jones do mundo da arte", declarou ter entregue as peças à embaixada da Espanha em Londres em uma cerimônia privada (foto: NIKLAS HALLE'N / AFP)
 
Haia, Holanda - Um especialista holandês em arte entregou à Espanha na segunda-feira (21) duas pedras esculpidas, de valor inestimável, que foram roubadas há 15 anos de uma igreja espanhola, depois de tê-las encontrado no jardim de um aristocrata inglês.

Arthur Brand, apelidado o "Indiana Jones do mundo da arte" por seus dons de investigador, declarou ter entregue as peças à embaixada da Espanha em Londres em uma cerimônia privada.

Trata-se do fim de uma longa caça ao tesouro digna de um romance policial. As duas obras de arte, uma das quais representa João apóstolo, foram roubadas em 2004 por ladrões de arte na igreja de Santa Maria de Lara, na província de Burgos, no norte da Espanha.

Finalmente, foram descobertas no final do ano passado, cobertas de barro e folhas, no jardim de uma família aristocrata, ao norte de Londres, que ignorava a sua origem.

"Podem imaginar como ficaram surpresos ao saber que a decoração de seu jardim era, de fato, composta por obras de arte religiosas espanholas roubadas e de valor inestimável", declarou Brand à AFP.

"Encontrá-las em um jardim depois de oito anos de busca é simplesmente incrível", acrescentou este apaixonado pela arte.

'Patrimônio mundial'

Foi por pouco que as pedras, que pesam 50 quilos cada uma e que a AFP observou algumas horas antes de serem entregues à polícia, não caíram no fundo de um rio londrino.

"Poderiam ter se perdido para sempre", destaca Brand, pois os donos ficaram tão impactados ao saber a verdade que quiseram jogar as obras de arte em um rio e fazê-las desaparecer para sempre. 

"Felizmente conseguimos convencê-los a não fazer isso", comenta o holandês, que está atrás das pedras esculpidas desde 2010.

Naquele ano, um informante britânico, que na época pediu anonimato, indicou que "algo estranho" havia aparecido em Londres. O homem morreu pouco tempo depois. 

Vários anos de busca depois, Brand descobriu que as pedras haviam sido transportadas para Londres por um comerciante de arte francês e colocadas à venda como decoração de jardim, a fim de evitar qualquer suspeita, por mais de 55.000 euros cada.
 
 
Ver galeria . 4 Fotos NIKLAS HALLE'N / AFP
(foto: NIKLAS HALLE'N / AFP )
 
Arthur Brand ganhou fama mundial em 2015 ao encontrar na Alemanha os dois cavalos de bronze feitos por Josef Thorak, um dos escultores oficiais do Terceiro Reich, que adornavam a entrada da Chancelaria de Hitler em Berlim, e que haviam desaparecido após a queda do muro. 

Um ano depois, Brand ajudou a recuperar cinco obras de pintores flamencos dos séculos XVII e XVIII, roubadas por um grupo de criminosos na Ucrânia. 

Em novembro, após uma caça ao tesouro que durou vários anos, permitiu que as autoridades cipriotas recuperassem um mosaico bizantino excepcional, fragmento de um dos afrescos roubados nas igrejas de Chipre após a invasão turca em 1974.

Como em um romance de Dan Brown

Na Espanha, as obras restituídas podem constituir um teste "essencial" para lançar luz sobre o debate em que vários especialistas estiveram envolvidos durante anos, a idade exata da igreja de onde roubaram os ornamentos, declarou David Addison, pesquisador da Universidade de Oxford.

O edifício data da época dos Visigodos, mas alguns especialistas acreditam que se trata de um imóvel do século VII, enquanto outros o situam no século X ou XI, indicou Addison à AFP.

A igreja, composta simplesmente por quatro paredes de pedra, e sem campanário, foi usada por muito tempo pelos agricultores como curral para o gado, antes de ser "redescoberta" em 1921 por um padre local e declarada monumento nacional em 1929. 

Suas grossas paredes de pedra contêm símbolos cristãos, pagãos, romanos e de influência islâmica, "dignas de um romance de Dan Brown", de acordo com Arthur Brand, em alusão ao famoso escritor americano.

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