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Correio Braziliense

Putin e Erdogan se reúnem para discutir guerra na Síria

Putin e Erdogan estão em lados opostos. Enquanto a Rússia apoia militarmente o governo Bashar al-Assad, a Turquia está com os rebeldes que querem derrubar o presidente sírio


postado em 23/01/2019 10:40

Moscou, Rússia | AFP | quarta-feira 23/01/2019 - 09:45 UTC-2 | 472 palavras

O presidente russo, Vladimir Putin, reúne-se nesta quarta-feira (23), em Moscou, com seu colega turco, Recep Tayyip Erdogan, que tentará convencê-lo a apoiar sua proposta de criação de uma "zona de segurança" no norte da Síria para impedir uma autonomia dos curdos.

Putin e Erdogan estão em lados opostos. Enquanto a Rússia apoia militarmente o governo Bashar al-Assad, a Turquia está com os rebeldes que querem derrubar o presidente sírio.

Apesar das divergências, ambos os países dizem buscar uma solução política para essa guerra iniciada há oito anos. Também insistem em que pretendem coordenar as operações depois que o presidente americano, Donald Trump, anunciou, em dezembro passado, que vai retirar seus 2.000 soldados estacionados na Síria.

Na última segunda-feira (21/1) , Erdogan antecipou que defenderá, na conversa com Putin, a necessidade de criar uma "zona de segurança" sob controle turco no norte da Síria. A iniciativa é apoiada por Trump.

Os curdos são aliados dos americanos e controlam a maior parte dessa região, motivo pelo qual se opõem categoricamente aos planos turcos e temem uma ofensiva de Ancara.

Desde o início da guerra, a Rússia defende que o governo sírio deve recuperar a totalidade do território. "Estamos convencidos de que a única solução correta e óptima é devolver esses territórios sob controle do governo sírio (...), levando-se em consideração que os curdos devem ter garantidas as condições necessárias" para residir em sua zona, declarou o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, na semana passada.


Cúpula com Irã

A retirada dos Estados Unidos foi um golpe de sorte para os planos do Kremlin e de Damasco. Tanto que as forças turcas mais expostas pediram ajuda ao governo sírio diante da perspectiva de um ataque turco.

A pedido de uma milícia curda, a Rússia aplaudiu a entrada, em dezembro, das tropas sírias na região de Manbij pela primeira vez em seis anos.

Moscou prepara uma cúpula com Turquia e Irã para os próximos meses com o objetivo de dar continuidade ao processo de paz de Astana, lançado por esses três países em 2017. "Até o momento, não se fixou nenhuma data, mas, depois da negociação com Erdogan, começaremos com os preparativos", afirmou o assessor do Kremlin, Yuri Ushakov, em meados de janeiro.

A última cúpula entre Putin, Erdogan e o presidente iraniano, Hassan Rohani, aconteceu em setembro em Teerã e girou em torno do futuro da província de Idlib, no noroeste. Terminou sem sucesso.

Em 2015, Rússia e Turquia viveram uma forte crise depois que o Exército turco derrubou um avião militar russo que sobrevoava a Síria. Reconciliaram-se no ano seguinte.


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