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Correio Braziliense

Ex-presidente peruano Alberto Fujimori volta para a prisão

Fujimori, 80 anos, foi transferido em uma caminhonete branca, para o mesmo local onde permaneceu detido por uma década, onde deve completar sua pena de 25 anos por crimes contra a humanidade


postado em 24/01/2019 11:27

(foto: HO / Fujimori Family / AFP)
(foto: HO / Fujimori Family / AFP)

O ex-presidente peruano Alberto Fujimori foi levado na noite de quarta-feira (24/1) da clínica de Lima onde estava hospitalizado desde outubro passado para um batalhão das forças especiais em Lima.

Fujimori, 80 anos, foi transferido em uma caminhonete branca,  para o mesmo local onde permaneceu detido por uma década, onde deve completar sua pena de 25 anos por crimes contra a humanidade. 

O ex-presidente saiu acompanhado por seu filho mais novo, Kenji Fujimori. O veículo seguiu escoltado por motocicletas e vários carros da polícia para um trajeto de meia hora até o batalhão em Barbadillo, no leste da capital.

O ex-presidente foi internado em 3 de outubro ao sofrer uma descompensação em sua casa, depois que um tribunal anulou o indulto que havia sido concedido pelo então presidente peruano Pablo Kuczynski na véspera do Natal de 2017. Uma junta médica concluiu que o ex-presidente tem condições de continuar seu tratamento no ambulatório do batalhão das forças especiais.

Fujimori, que governou o Peru de 1990 a 2000 com mão dura, teve seu indulto presidencial anulado pela justiça, e recorreu ao Supremo Tribunal, que analisa a questão.  Fujimori permaneceu preso na mesma base policial para a qual retornou na quarta-feira entre 2007 e 2017, depois de chegar ao país extraditado do Chile. Ele será o único detento no local, onde receberá atendimento médico permanente.

O destino de Fujimori não está definido a nível judicial, pois a Suprema Corte ainda precisa decidir sobre um recurso de apelação contra a anulação do indulto. 


Fim próximo 

 

Em um bilhete escrito quando ainda estava na clínica, o ex-presidente disse sentir que o fim está próximo.  "Se na tranquilidade de estar hospitalizado atravesso uma perigosa montanha russa, na prisão esta situação será muito mais grave e instável". "É por isto que voltar à prisão representa uma pena de morte lenta e certa", completa no bilhete o engenheiro e matemático de 80 anos.

"Podem tirar a minha vida, mas nunca o que eu fiz. O Peru jamais voltará a ser o país inviável que recebi" em 1990, com hiperinflação de 7.600% e a violência guerrilheira do Sendero Luminoso. "Caminho para o fim da minha vida com a satisfação de ter ajudado a mudar a história do meu país".

"Os antifujimoristas não querem reconhecer as grandes mudanças estruturais da década de 90 que beneficiaram toda a população. Vivem apenas de seu ódio aos Fujimori. Querem me matar lentamente".

"Jamais imaginei que a política poderia produzir tanto mal à minha família. Sinto como se uma maldição tivesse caído sobre nós". 

"Minha filha (Keiko) jamais chegou à presidência, mas é o único político na prisão pelo caso Odebrecht. Ela deveria enfrentar o processo em liberdade, mas está na prisão por motivações 100% políticas", concluiu.

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