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Correio Braziliense

Aumento dos casos de câncer preocupa o Uruguai e a América Latina

A cada dois minutos, cinco pessoas são diagnosticadas com câncer na América Latina. A região tem 1,4 milhão de novos casos por ano e a doença continua avançando


postado em 29/01/2019 08:29 / atualizado em 29/01/2019 09:05

Células cancerígenas (foto: Departamento de Biomedicina da Universidade de Basel / Divulgação.)
Células cancerígenas (foto: Departamento de Biomedicina da Universidade de Basel / Divulgação.)

Os dados globais mais recentes indicam que o número de casos e mortes causados pela doença crescerá na região em um ritmo mais rápido do que a média.

Diferentes setores alertam sobre a necessidade de agir para melhorar o acesso ao tratamento do câncer. Melhor infraestrutura, mais financiamento, recursos humanos e disponibilidade de tratamentos são as soluções mais citadas.

A cada dois minutos, cinco pessoas são diagnosticadas com câncer na América Latina. A região tem 1,4 milhão de novos casos por ano e a doença continua avançando.  Em setembro de 2018, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial de Saúde (OMS), atualizou o Observatório Global do Câncer e traçou um panorama alarmante: a incidência da doença deve crescer 63% no mundo até 2040 e o número de mortes deve subir 71,5%.

Em regiões menos desenvolvidas, como a América Latina, onde o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento são mais difíceis, o cenário é ainda pior: o número de casos deve saltar 73% os próximos 21 anos, chegando a 2,5 milhões por ano, e as mortes praticamente irão dobrar, chegando a 1,3 milhão de falecimentos ao ano.

Ao mesmo tempo, o acesso a cuidados de saúde na região enfrenta sérios problemas: segundo um estudo da The Lancet, mais de 156 milhões de pessoas morrem todos os anos devido à falta de acesso aos serviços de saúde. A crescente necessidade de atendimento se depara com sistemas de saúde fragmentados, com falta de infraestrutura, recursos humanos, diagnóstico, tratamento e financiamento.

O Uruguai, em muitos aspectos, é o melhor exemplo da região em prevenção e tratamento. No entanto, a taxa de incidência da doença por 100 mil habitantes do país está entre as maiores da região, com 251 casos para cada grupo de 100 mil pessoas, enquanto no México são apenas 132. Esses números revelam a necessidade de agir ainda mais fortemente para aumentar o acesso ao tratamento do câncer.

“Falar de câncer tem que ser uma politica pública de saúde. Esse é o grande desafio”, diz o diretor do Instituto Nacional do Câncer do Uruguai, Álvaro Luongo.  De acordo com a IARC, o número de casos no país deve crescer 30% até 2040, passando de 15.101 ao ano para 19.563, e as mortes devem aumentar 34%, de 8.589 ao ano para 11.511 em 2040.

O Uruguai apresenta um perfil epidemiológico semelhante ao dos países desenvolvidos, com maior prevalência do risco de alguns tipos de câncer relacionados ao desenvolvimento econômico e à urbanização, como os tumores de  mama, próstata e pulmão, e diminuição de outros, como câncer de fígado e estômago.

O investimento prioritário deve ser em prevenção, destaca Álvaro Luongo. “Fazer campanhas e informar é muito mais barato do que tratar um paciente. No tratamento em estágio avançado, entram medicamentos e tecnologia de alto custo que, muitas vezes, são paliativas, não curativas”, afirma. Ele completa que “países que não têm dinheiro para gastar em prevenção vão ter que gastar três ou quatro vezes mais em tratamento”.

Uma iniciativa bem sucedida em prevenção está no acesso à mamografia, principal forma de diagnosticar o câncer de mama no início. Desde 2005, cerca de 75% das mulheres do país realizam mamografias e a partir de 2006 o exame passou a ser obrigatório por lei para aquelas que querem trabalhar. O resultado é que 40% dos diagnósticos de câncer de mama no país são feitos em estágio 1, quando a chance de cura fica em torno de 90%.

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