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Correio Braziliense

Apagão de energia interrompe entrevista coletiva de Nicolás Maduro

O presidente venezuelano falava sobre o envio de ajuda humanitária ao país quando ocorreu a falha


postado em 09/02/2019 09:31 / atualizado em 09/02/2019 12:29

(foto: Juan Barreto/AFP)
(foto: Juan Barreto/AFP)
Uma falha elétrica interrompeu nesta sexta-feira uma entrevista coletiva do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no palácio presidencial de Miraflores, Caracas. Ele falava sobre a entrada de ajuda humanitária no país quando a sala ficou às escuras e o canal VTV cortou a transmissão.


O apagão foi parte de uma falha elétrica que afetou várias zonas de Caracas e do Estado de Miranda. A Corporação Elétrica Nacional não informou o motivo da falha no fornecimento de energia.

Apesar de o governo garantir que o país não enfrenta uma crise, não é a primeira vez que uma falha elétrica interrompe um ato do presidente, pois os apagões no país são cada vez mais comuns.

Segundo a mídia local, no mês passado dois pacientes morreram em um hospital de Caracas, pois estavam em uma UTI e os aparelhos de suporte vital se desligaram durante um longo apagão.

Ajuda humanitária é "um show"

Na entrevista, Maduro afirmou que seus adversários, com o auxílio dos Estados Unidos, são os artífices da suposta crise humanitária, com o propósito de prejudicar a soberania nacional e justificar a derrubada do governo.

"A soberania nacional está sob ameaça de ser fragilizada com um show chamado operação humanitária pelo governo de Donald Trump, que tem ameaçado uma invasão militar contra a Venezuela", afirmou Maduro em entrevista coletiva no palácio de governo.

A declaração ocorre um dia após os primeiros caminhões com ajuda humanitária terem chegado à cidade fronteiriça colombiana de Cúcuta. "A ajuda humanitária se converteu num show para justificar uma intervenção no país", insistiu Maduro. Segundo ele, isso ocorre enquanto "nos bloqueiam quase US$ 10 bilhões no mundo", em referência a sanções americanas contra seu governo.

A oposição venezuelana tem prometido entregar a ajuda humanitária, mas ainda não se sabe o mecanismo para conseguir isso, já que a passagem fronteiriça foi bloqueada por militares. Não se sabe tampouco o comportamento dos militares, principal base de apoio do governo de Maduro, quando os opositores conseguirem entrar com carregamentos no território venezuelano.

Gauidó fala em intervenção americana

O deputado Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional e que em 23 de janeiro se declarou presidente interino do país, desafiando Maduro, promoveu a iniciativa de receber ajuda internacional. Nesta sexta-feira, ele qualificou como "miseráveis" as autoridades que não permitem a entrada de ajuda. "Não é capricho, não é migalha, é necessidade", afirmou ele durante ato com milhares de jovens na estatal Universidad Central de Venezuela (UCV), em Caracas.

Na sexta-feira, Guaidó disse à agência France-Presse que não descarta autorizar uma intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela para tirar o presidente Nicolás Maduro do poder. "Faremos o que for possível", disse ele, ao responder uma pergunta se autorizaria uma intervenção estrangeira na condição de presidente interino. "Claro que é um tema muito polêmico, mas fazendo uso da nossa soberania, dentro das nossas competências, faremos o necessário."

Também na capital, o Tribunal Supremo de Justiça, controlado pelo governismo, declarou nula a lei que regeria a "transição política", aprovada pela Assembleia Nacional, caso caia o governo Maduro. A sentença afirma que a Assembleia Nacional cometeu "um assalto ao Estado de Direito" e pretende realizar "uma ruptura na ordem constitucional", pedindo ao Ministério Público que investigue supostos crimes no comportamento dos deputados. 

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