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Correio Braziliense

Bolsonaro e presidente do Paraguai alinham deportação de exilados

Jair Bolsonaro e o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, negociaram a extradição de paraguaios presos no Brasil e de brasileiros presos no Paraguai


postado em 12/03/2019 15:05

A política de direita do presidente paraguaio é alinhada à de Bolsonaro(foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)
A política de direita do presidente paraguaio é alinhada à de Bolsonaro (foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)
 
O presidente Jair Bolsonaro e o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, negociaram nesta terça-feira (12/3) a extradição de paraguaios presos no Brasil e de brasileiros presos no Paraguai. A ideia é estreitar forças no enfrentamento ao crime organizado e tráfico de drogas na fronteira de ambas nações. Em pronunciamento, Bolsonaro declarou que o governo não dará asilo a terroristas ou qualquer outro “bandido escondido” ou refugiado político. 

É a primeira visita de Benítez, eleito em abril do ano passado, a Bolsonaro. Em junho, ele cumpriu missão ao Brasil e se reuniu com o ex-presidente Michel Temer. Na ocasião, o governo paraguaio pediu ao emedebista a deportação de exilados paraguaios que residem no Brasil. Sem solução, ele voltou a cobrar o mesmo do atual chefe do Palácio do Planalto. 

O aceno dado por Bolsonaro foi bem avaliado por Benítez, que, em pronunciamento, manifestou uma relação pautada por costumes e valores familiares. O presidente paraguaio expressou vontade do fortalecimento da democracia e cooperação com o Brasil de instituições sólidas. “Que esta democracia possa dar resultados positivos a nossos povos, ambos, para que nossa democracia não seja fértil para populismo, demagogias e medidas irresponsáveis”, declarou. 

É a quarta vez que o Paraguai pede a um presidente da República a deportação de exilados, declarou Bolsonaro. Segundo informação dita por Benítez ao presidente, são três integrantes do Exército do Povo Paraguaio (EPP). “Estamos analisando para fazer um parecer daqui a dois meses, aproximadamente, se eles ficam no Brasil ou se o devolveremos”, explicou. 

Os três paraguaios receberam refúgio em 2003, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirma o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. O pedido do Paraguai para a deportação está sendo processado dentro do Ministério da Justiça e vai ser decidido pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), seguindo procedimento legal. “A República do Paraguai alega que o refúgio foi indevidamente concedido e que essas pessoas teriam cometido crimes comuns. Qual vai ser a decisão cabe ao Conare. Tem que esperar a defesa desses paraguaios”, ponderou.

O ministro destacou que o Paraguai tem expulsado nos últimos anos “diversos” criminosos brasileiros membros de facções criminosas que tem tentado se refugiar e, de lá, tentar controlar a atividade de tráfico de drogas. O caso mais recente é o do brasileiro Thiago Ximenes, o “Matriz”. Ele é apontado pela polícia paraguaia como o principal líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) na fronteira ao sul do país. Foi preso na fronteira entre a Argentina e o Paraguai. 

A política de direita do presidente paraguaio é alinhada à de Bolsonaro. Para Moro, o combate conjunto entre Brasil e Paraguai é algo que beneficia ambos. “Nós temos há muito tempo desenvolvido com o Paraguai a chamada Operação Aliança, que significa erradicação de plantas de maconha no Paraguai com auxílio das autoridades brasileiras. E, por outro lado, temos que nos aprofundar em realização de investigações conjuntas para identificar a lavagem de dinheiro, principalmente bens adquiridos com valores de narcotráfico em solo paraguaio. Os dois países estão comprometidos em aprofundar essa relação”, declarou o ministro. 

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