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Correio Braziliense

Embraer fecha 2018 com perdas por queda na venda de jatos executivos

Este é o primeiro exercício anual deficitário da Embraer desde 1997


postado em 14/03/2019 17:04

(foto: ERIC PIERMONT)
(foto: ERIC PIERMONT)
 
A Embraer registrou em 2018 perdas líquidas de 669 milhões de reais, uma queda em comparação com os 850,7 milhões em 2017, informou nesta quinta-feira (14) o fabricante de aviões em pleno processo de absorção de sua principal atividade pela americana Boeing.

Este é o primeiro exercício anual deficitário da Embraer desde 1997, o que a empresa atribui à entrega de aviões do tipo executivo menores que o esperado.

No quarto trimestre, as perdas foram de 78,1 milhões de reais, frente aos lucros de 132 milhões no mesmo período do ano anterior, informou o grupo em um comunicado.

Esse anúncio teve repercussões nos mercados. Às 13H00, as ações da Embraer perdiam 2,23% na Bolsa de São Paulo, e o índice Ibovespa retrocedia 0,57%.

A Embraer entregou no ano passado 90 aeronaves comerciais (frente às 101 em 2017), dentro de suas expectativas, e 91 do tipo executivo, quando suas previsões iniciais eram entre 105 e 125 aparelhos.

O Ebitda ajustado - lucro antes dos juros, impostos, desvalorização e amortizações - foi de 409,5 milhões no quarto trimestre, -39% em relação ao mesmo período de 2017 e de 1,713 bilhão em todo 2018 (-25% interanual).

O terceiro fabricante mundial mundial de aviões manteve, apesar de tudo, em 2018 um volume de negócios de 18,721 milhões de reais, parecido com o de 2017 (18,77 bilhões), graças a uma valorização do dólar frente ao real, que "afetou positivamente as contas e o resultado do quarto trimestre", segundo explicou a companhia.


Aliança com a Boeing

O pacto Embraer-Boeing prevê que a empresa de Seattle assuma o controle das atividades comerciais civis da empresa brasileira pelo valor de 4,2 bilhões de dólares, o que permitirá ao sócio americano um controle de 80% do capital do novo grupo.

Ambas empresas formarão, além disso, outro grupo para comercializar o cargueiro KC-390 da Embraer, no qual a empresa brasileira terá 51% do capital e a Boeing 49%. 

O setor de aviões militares e de aviação executiva da Embraer foi excluído do acordo.

Em uma audioconferência com jornalistas, o vice-presidente financeiro da Embraer, Nelson Krahenbuhl Salgado, assegurou que os problemas de Boeing com os aviões 737 MAX 8 e 737 MAX 9 "não afetam a parceria" entre os dois grupos.

As ações da Boeing em Nova York desvalorizaram 15% este mês, depois que os céus de quase todo o mundo se fecharam a esses aparelhos por causa do acidente na Etiópía, o segundo em cinco meses.

Salgado prevê, inclusive, que o acordo seja definitivamente fechado este ano e que vá aportar "um valor muito grande" aos clientes e acionistas da Embraer.

O grupo vê sinais de recuperação em 2019, já que tinha uma carteira de pedidos firmes de 16,3 bilhões de dólares no final de 2018, menos que os 17,400 bilhões do ano anterior, mas muito mais que os 13,6 bilhões do final do trimestre julho-setembro.

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