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Nova Zelândia enterra primeiras vítimas de massacre nas mesquitas

Centenas de pessoas, principalmente muçulmanas, se reuniram na manhã desta quarta-feira em um cemitério próximo à mesquita de Linwood, o segundo alvo do ataque da sexta-feira

Agência France-Presse
postado em 20/03/2019 08:45 / atualizado em 19/10/2020 11:55

Nova Zelândia enterra primeiras vítimas de massacre nas mesquitas. Relatives and devotees offer absentia funeral prayers for Mohammed Sohail Shahid, who was killed in the Christchurch mosques attacks in New Zealand, in Lahore on March 19, 2019. New Zealand Prime Minister Jacinda Ardern vowed on March 19 never to utter the name of the twin-mosque gunman as she opened a sombre session of parliament with an evocative

Um refugiado sírio e seu filho foram enterrados nesta quarta-feira (20/3) na Nova Zelândia, nos primeiros funerais de vítimas do atentado contra duas mesquitas em Christchurch.

 

Centenas de pessoas, principalmente muçulmanas, se reuniram na manhã desta quarta-feira em um cemitério próximo à mesquita de Linwood, o segundo alvo do ataque da sexta-feira (15/3) quando um supremacista branco australiano armado com um fuzil de assalto matou 50 fiéis.

 

A multidão se despediu de Khalid Mustafa, 44 anos, e de seu filho Hamza, 15. A família Mustafa chegou à Nova Zelândia no ano passado como refugiada da guerra civil na Síria.

 

Zaid, 13 anos, outro filho de Mustafa, foi ferido no ataque mas sobreviveu e hoje assistiu ao enterro em uma cadeira de rodas. O refugiado afegão Abdul Aziz, que enfrentou o atirador na mesquita de Linwood, também compareceu ao enterro.

 

A dor pela perda dos entes queridos foi ampliada pelo fato de que as autoridades não entregaram os corpos no prazo de 24 horas para o enterro, como determina a tradição muçulmana. 

 

Até o momento, apenas seis corpos das 50 vítimas foram liberados pelas autoridades. As autoridades afirmam fazer o possível para acelerar as autopsias e a identificação das vítimas.

 

O comissário Mike Bush explicou que o processo é lento diante da necessidade de identificar os corpos e a causa da morte sem qualquer dúvida, para não prejudicar o processo judicial. "Seria imperdoável entregar a uma família o corpo incorreto". Até o momento foram identificadas 21 vítimas, assinalou Bush.

 

A primeira-ministra Jacinda Ardern visitou nesta quarta-feira o colégio  Cashmere, onde estudavam Hamza, Zaid e outra vítima, Sayyad Milne, de 14 anos. Ao ser perguntada por um aluno sobre como se sentia, Ardern respondeu: "Estou triste".

 

O supremacista branco australiano Brenton Tarrant matou os 50 fiéis nas duas mesquitas alegando lutar contra o que considera "invasores" muçulmanos e contra o islamismo radical.

 

O primeiro-ministro australiano Scott Morrison anunciou nesta quarta-feira que convocará o embaixador turco em Canberra pelas declarações "muito ofensivas" do presidente Recep Tayyip Erdogan sobre os ataques.

 

Erdogan apresentou os ataques perpetrados pelo australiano como um atentado à Turquia e ao Islã e advertiu os antimuçulmanos daquele país que eles sofrerão o mesmo destino que os soldados de Gallipoli - uma sangrenta batalha da Primeira Guerra Mundial.

 

Gallipoli foi uma batalha da Primeira Guerra Mundial em que os otomanos deram uma sangrenta derrota a uma força aliada composta basicamente de australianos e neozelandeses. 

 

"O presidente turco Erdogan fez declarações que considero muito ofensivas para os australianos e muito insensatas nesta delicada situação", declarou Morrison.

 

"Espero e pedi que esclareçam estes comentários, que se retratem", disse Morrison, avaliando que as  declarações sobre a Austrália e sobre a resposta da Nova Zelândia ao ataque às mesquitas foram "infames".

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