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Correio Braziliense

Brasil defenderá extinção da Unasul e criação de bloco sem a Venezuela

Segundo Ernesto Araújo, saída do Brasil da Unasul será anunciada no Chile pelo presidente Jair Bolsonaro, nesta semana


postado em 20/03/2019 14:50 / atualizado em 20/03/2019 17:11

(foto: Mandel Ngan/AFP)
(foto: Mandel Ngan/AFP)
O presidente Jair Bolsonaro deverá anunciar, em sua visita ao Chile, na quinta e na sexta-feiras (21 e 22/3), a saída do Brasil da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), grupo integrado por 12 países sul-americanos: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Guiana, Suriname e Venezuela. 

A informação foi dada nesta quarta-feira (20/3) pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ao fazer um balanço da viagem oficial de Bolsonaro aos Estados Unidos. Segundo o chanceler, o abandono da Unasul será coordenado com os demais países do grupo e deve representar o esboço de um novo bloco sul-americano, sem a presença da Venezuela.

"Gostamos muito da ideia chilena de substituir a Unasul por outro bloco (o Prosul, integrado por Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Costa Rica, Nicarágua, Panamá e República Dominicana). A Unasul é um órgão falido, que foi capturado e com vício de origem, que não conseguiu avançar na integração física entre os países. Não construiu um quilômetro de rodovia”, criticou o ministro, horas antes de viajar para o Chile. Para Araújo, a desintegração da Unasul para a criação de um novo bloco permitirá substituir o organismo por iniciativas mais específicas de integração regional.

Integração com o Pacífico

O ministro adiantou que as conversas entre Bolsonaro e Piñera devem focar o incremento das conversas para um avanço nos projetos de integração do Brasil com o Pacífico e também no aumento dos investimentos. Bolsonaro embarca na quinta-feira rumo a Santiago, onde fará visita oficial ao presidente Sebastián Piñera e participará de cúpula que contará com 21 chanceleres e 22 presidentes, segundo o Itamaraty.

O presidente retorna no sábado (23/3) e, na semana que vem, fará uma visita oficial a Israel. Araújo, no entanto, não confirmou se, na ocasião, será anunciada a mudança efetiva da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém. Segundo o ministro, isso será definido durante as reuniões preparatórias da viagem, que não tem previsão de visita a territórios palestinos.

Embaixadas

Ao ser questionado sobre a troca de embaixadores de 15 representações no exterior prevista pelo novo governo, Araújo destacou que a preferência para os novos titulares será técnica. "A lista que fechamos das mudanças atuais incluem apenas embaixadores de carreira. Washington não está nessa lista", disse ele, acrescentando que, em relação à embaixada de Washington, não haverá essa restrição.

Essa colocação acirra a disputa entre dois nomes cogitados para o posto: o do advogado e cientista político Murillo de Aragão e o Nestor Foster Júnior. Além das perguntas de jornalistas presentes à coletiva, Araújo ainda respondeu três questionamentos de blogueiros simpatizantes do governo gravados previamente.

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