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Correio Braziliense

Brasil e Chile se comprometem a fortalecer livre comércio na América do Sul

Após criação de fórum para progresso da região, presidentes do Brasil e Chile se comprometem a trabalhar pela aprovação de pacto bilateral de livre comércio nas casas legislativas


postado em 24/03/2019 08:00 / atualizado em 23/03/2019 21:12

Acordo defendido por Jair Bolsonaro e Sebastian Piñera prevê eliminação de tarifas de importação no intercâmbio de bens(foto: Claudio Reys/AFP)
Acordo defendido por Jair Bolsonaro e Sebastian Piñera prevê eliminação de tarifas de importação no intercâmbio de bens (foto: Claudio Reys/AFP)
Santiago 
— Um dia depois de participarem da primeira reunião que criou as bases para o novo fórum econômico e social da América Latina, o Prosur, os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e do Chile, Sebastian Piñera, se comprometeram, ontem, a defender a aprovação do acordo de livre comércio entre os dois países nos respectivos Legislativos ainda neste ano.

O acordo de livre comércio foi assinado em novembro pelos então ministros brasileiros e chilenos. Entre os principais pontos está a eliminação de tarifas de importação no intercâmbio bilateral de bens. Ao todo, os dois países assumem compromissos em 24 áreas não tarifárias, como comércio eletrônico e eliminação de cobrança de roaming internacional para dados e telefonia móvel.

O acordo bilateral prevê boas práticas regulatórias, incentivo à maior participação de micro, pequenas e médias empresas, comércio e meio ambiente. Os termos compreendem licitações públicas comuns e cooperação e facilitação de investimentos. Também estabelecem proteção para produção intelectual — o Chile reconhece a cachaça como uma indicação geográfica procedente do Brasil, que, assim, protege o pisco chileno. Segundo o governo brasileiro, o acordo prevê análises de impacto regulatório para previsibilidade e segurança jurídica.

No discurso final da reunião bilateral, Piñera avançou contra o regime de Nicolás Maduro na Venezuela. “Entre os termos do acordo para a criação da Prosur (Fórum para o Progresso da América do Sul) está a necessidade de plena democracia. Assim, esperamos que a Venezuela possa ingressar o mais cedo nesse grupo”, disse o presidente do Chile que, como Bolsonaro, é um aliado do líder dos Estados Unidos, Donald Trump. “Tive conversas reservadas com Trump que não posso revelar, mas ele está muito preocupado com a América Latina, não apenas com o Brasil e a Venezuela”, disse o presidente brasileiro.

Almoço


O encontro entre Bolsonaro e Piñera tomou parte da manhã e terminou com almoço no pátio principal do Palácio de La Moneda, sede do governo chileno, sob um protesto velado de parlamentares, como o presidente do Senado, Jaime Quintana, que recusou o convite para o evento.

Na tarde de sexta-feira, o presidente brasileiro fez um passeio em um shopping de Santiago e chegou a ser aplaudido por alguns populares. “Caso precise, posso vir aqui para ajudar na campanha ”, brincou Bolsonaro. No mesmo horário da visita de Bolsonaro ao centro comercial, porém, cerca de mil pessoas fizeram uma manifestação ao lado da sede do governo contra a presença dele no Chile.


Meio ambiente 


Depois da desistência do Brasil em sediar a COP25 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), o Chile assumiu a organização do evento, que ocorrerá em novembro. Bolsonaro agradeceu a iniciativa.“Quero agradecer a vossa excelência (Piñera) por ter abraçado a COP25. O Brasil não está fora dela, mas não podemos assinar um acordo onde alguns objetivos sejam impossíveis de serem atingidos”, disse.

O presidente, crítico do Acordo de Paris, afirmou que não poderá assumir um pacto com objetivos “impossíveis de serem atingidos”. “O Brasil nada deve ao mundo no tocante à preservação do meio ambiente. Temos essa preocupação, mas, com ela, temos a preocupação com o desenvolvimento”.

Despedida com novas manifestações

Os protestos contra Jair Bolsonaro foram retomados no último dia do presidente brasileiro no Chile. Promovida por grupos de minorias, a manifestação reuniu centenas de pessoas que o descreveram como “embaixador do ódio”. A concentração ocorreu na frente do Palácio La Moneda, vigiada por um paredão policial. Os manifestantes carregaram faixas com pedidos de defesa do meio ambiente, a favor de gays e lésbicas e também questões relacionadas ao assassinato de Marielle Franco (PSol-RJ).

Ao menos um jovem foi detido. No primeiro dia de protesto, na sexta-feira, mais de mil manifestantes foram repreendidos pela polícia, que usou bombas para dispersar a multidão, reunida também próximo à sede do governo chileno. No mesmo dia, Bolsonaro se defendeu das críticas. “Mentiras, notícias falsas”, disse o brasileiro. “Se eu fosse xenofóbico, sexista, misógino, racista, como você justifica a vitória no Brasil? Mentira, fake news (...) essas pessoas estão acreditando em notícias falsas, temos que abrir nossas cabeças”, disse no primeiro dia da visita ao Chile.

Venezuela

Ontem, em um discurso de despedida durante um almoço com a participação de 120 pessoas no Palácio La Moneda, Bolsonaro cometeu uma gafe. Ao agradecer a receptividade dos chilenos, disse que “nossos irmãos venezuelanos merecem nossa preocupação e merecem ser lembrados em todo momento”.

O presidente seguiu dizendo que  “a América Latina deve agradecer a Deus e à vontade de muitos homens e mulheres que lutaram contra o socialismo”, assegurando que todos os países trabalham para que o “regime venezuelano deixe de existir”. No encontro, Bolsonaro e Sebastián Piñera reiteraram a intenção de buscar um acordo pacífico para encerrar a crise na Venezuela e rejeitaram a possibilidade de intervenção militar.
 
 
 

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