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Em carta de despedida, ex-presidente do Peru diz que não merecia injustiça

Mensagem dirigida aos seis filhos foi lida, nesta sexta-feira (19/4), com emoção, por sua filha Luciana durante a cerimônia fúnebre

Agência France-Presse
postado em 19/04/2019 14:59
Alan GarcíaO ex-presidente peruano Alan García rejeitou as acusações de corrupção contra ele em uma carta escrita antes de se suicidar, na última quarta-feira (17/4), afirmando que "não houve nem haverá contas, nem subornos, nem riqueza".

"Vi outros desfilarem algemados resguardando sua miserável existência, mas Alan García não tem por que sofrer essas injustiças e circos", escreveu o ex-presidente na mensagem dirigida a seus seis filhos, lida nesta sexta-feira (19/4), com emoção, por sua filha Luciana durante a cerimônia fúnebre.
"Não houve nem haverá contas, nem subornos, nem riquezas, a história tem mais valor que qualquer riqueza material", destacou o ex-presidente, que deu um tiro na própria cabeça na quarta-feira quando estava prestes a ser detido por suposta lavagem de dinheiro e conluio na investigação do caso da Odebrecht no Peru.

García, de 69 anos, que ficou obcecado durante sua prolífica e polêmica carreira política de quatro décadas pelo lugar que ocuparia na história, escreveu que não estava disposto a suportar humilhações.

"Cumprido meu dever na política e nas obras realizadas a favor do povo, alcançadas as metas que outros povos ou governos não conseguiram, não tenho porque aceitar vexames", escreveu numa parte da carta.

"Deixo para meus filhos a dignidade das minhas decisões, a meus companheiros um sinal de orgulho e meu cadáver como uma mostra do meu desprezo para meus adversários, porque já cumpri a missão que me impus", acrescenta.

O social-democrata García governou o Peru em duas ocasiões: 1985-1990 e 2006-2011.

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