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Correio Braziliense

Ex-diretor da Odebrecht entrega 'rotas do dinheiro' a procuradores peruanos

Jorge Barata entregou aos procuradores peruanos nesta quarta-feira 'as rotas do dinheiro' que a empresa brasileira distribuía entre os políticos peruanos


postado em 24/04/2019 16:41

(foto: Heuler Andrey / AFP )
(foto: Heuler Andrey / AFP )
O ex-diretor da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, entregou aos procuradores peruanos nesta quarta-feira "as rotas do dinheiro" que a empresa brasileira distribuía entre os políticos peruanos, num escândalo de corrupção que atinge quatro presidentes, entre eles Alan García, que cometeu suicídio há uma semana.

"O senhor Barata deu uma explicação sobre as rotas do dinheiro", disse o procurador peruano Rafael Vela, líder da equipe que interrogou pelo segundo dia o ex-homem forte da Odebrecht no Peru, na sede do Ministério Público de Curitiba.

"Estamos absolutamente satisfeitos com o que o senhor Barata disse", acrescentou o procurador.

Vela não deu detalhes, mas um portal peruano indicou que Barata teria confirmado nesta quarta-feira a procuradores que a Odebrecht pagou mais de quatro milhões de dólares a Luis Nava, então secretário do presidente Alan García (em seu segundo mandato, 2006-2011), a fim de garantir contratos de obras públicas.

Os pagamentos ilícitos à mão direita do presidente García na época foram feitos em duas contribuições a partir de 2006, segundo o portal de jornalismo investigativo IDL-Reporteros, que pesquisa documentos sobre o escândalo da Odebrecht.

"Jorge Barata concordou em pagar a Luis Nava US $ 3 milhões para garantir que as obras da Rodovia Interoceânica Sul continuassem, e que a Odebrecht conquistasse novos projetos", disseram os repórteres da IDL no Twitter.

Segundo o site, Barata disse aos procuradores que Nava "era a pessoa que abria as portas do Palácio do Governo durante o mandato de Alan García".

A procuradoria peruana suspeita que o destinatário final do dinheiro foi Alan García, algo que o ex-presidente sempre negou.

Um segundo pagamento de 1,3 milhão de dólares foi feito através de um banco de Andorra em nome do ex-presidente da estatal petrolífera PetroPerú, Miguel Atala, que serviu como testa de ferro, segundo o IDL.

A equipe de cinco procuradores peruanos continuará interrogando funcionários da Odebrecht e de outras empresas brasileiras nesta semana.

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