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Correio Braziliense

Suíços aprovam endurecimento da legislação sobre a compra e posse de armas

De acordo com as projeções, o 'sim' vencia com 67% dos votos


postado em 19/05/2019 10:10

(foto: Guns Power/Divulgacao)
(foto: Guns Power/Divulgacao)
Genebra, Suíça
-Os suíços aprovaram, neste domingo (19), em referendo, a lei do governo destinada a endurecer a compra e posse de armas, para se adaptar à legislação europeia, segundo resultados provisórios.

De acordo com as projeções do instituto gfs.bern, publicadas no início da tarde pela televisão pública suíça RTS, o 'sim' vencia com 67% dos votos (+/- 3 pontos de margem de erro).

Antes do referendo, o governo lançou um claro alerta: uma rejeição à lei excluiria a Suíça - que não é membro da União Europeia (UE) - dos acordos europeus de Schengen e de Dublin, "a não ser que todos os Estados da UE e a Comissão Europeia aceitem olhar para o outro lado". 

Se ocorrer, essa exclusão teria consequências no âmbito da segurança e do asilo, mas também no setor turístico, e custaria "bilhões de francos suíços ao ano", segundo as autoridades federais.

"É uma lástima que a população tenha cedido ao argumento do medo com Schengen. É um pouco triste, mas aceitamos o resultado", reagiu Olivia de Weck, vice-presidente da PrtTell, o lobby pró-arma suíço que protagonizou uma forte mobilização contra a nova legislação;

"O que prima é a democracia", ressaltou Weck. "Sabíamos que seria difícil", acrescentou.

Considerando as ameaças "exageradas", o mundo do tiro esportivo lançou-se em campanha, garantindo que a lei será "totalmente inútil contra o terrorismo" e que "eliminará o direito de ter uma arma", além de "enterrar" sua disciplina. 

Mesmo assim, consideram que poderia ser encontrada uma "solução pragmática" com a UE. O bloco não tem "nenhum interesse" em excluir a Suíça do SIS, uma rede europeia de informação comum em matéria de criminalidade e terrorismo, explicou à AFP Olivia de Weck. 

A UDC, partido de direita populista mais bem votado no país, é a única formação a apoiá-los. 

- 'Arma proibida' -

Sem um registro federal, é difícil saber quantas armas estão em circulação na Suíça. Além disso, uma mesma pessoa pode pedir várias permissões, e cada uma permite adquirir três armas. 

Segundo o centro de pesquisa Ginebra Small Arms Survey, em 2017, havia mais de 2,3 milhões de armas nas mãos de civis na Suíça, ou seja, quase três por cada 10 habitantes, o que colocaria a Suíça no 16º lugar da escala mundial de países segundo o número de armas por habitante.

A nova legislação não prevê um registro central, mas obriga a marcar todos os elementos essenciais de uma arma. Ela também classifica as armas semiautomáticas com carregador de grande capacidade na categoria de armas "proibidas" - embora colecionadores e atiradores esportivos possam continuar a adquiri-las com um "autorização excepcional".  

Colecionadores e museus devem indicar como preveem garantir a conservação dessas armas "proibidas", que estão que ser listadas. Atiradores terão que demonstrar, após cinco anos e depois de dez anos, que praticam o esporte com regularidade. 

- Rifle do exército -

Na Suíça, onde quase não há ataques a tiros, o apego pelas armas bebe na tradição de um exército de milicianos que mantêm seus rifles em casa. 

Há muitas ocasiões em que você pode praticar o tiro, como a festa federal de tiro ou competições populares, e o interesse por calibres de todos os tipos cresceu nos últimos anos. 

Com a nova lei, o rifle do exército não será incluído na categoria de calibres "proibidos" se o seu proprietário o mantiver ao final de seu serviço militar. No entanto, será se a arma passar para um herdeiro ou for vendida. 

A última pesquisa do instituto gfs.bern, publicada em 8 de maio, indicou que sim (65%) vencerá o não (34%).


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