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Correio Braziliense

Sob protesto dos pais, médicos cessam cuidado de homem em estado vegetativo

Vincent Lambert sofreu um acidente em 2008, quando tinha 32 anos, e os médicos verificaram que os danos cerebrais eram irreversíveis. O caso provocou a retomada do debate sobre o fim da vida na França


postado em 20/05/2019 07:05 / atualizado em 20/05/2019 10:46

(foto: Arquivo pessoal/AFP)
(foto: Arquivo pessoal/AFP)
Lille, França — A interrupção dos cuidados médicos ao francês Vincent Lambert, um paciente em estado vegetativo há mais de 10 anos, começou nesta segunda-feira no Hospital Universitário de Reims (norte da França), informaram o advogado dos pais e uma fonte familiar. 

O caso de Vincent Lambert dividiu sua própria família e provocou um amplo debate na França sobre eutanásia e a morte digna, inclusive com implicações políticas poucos dias antes das eleições europeias.

Lambert sofreu um acidente de trânsito em 2008, quando tinha 32 anos, e os médicos verificaram que os danos cerebrais eram irreversíveis. O caso provocou a retomada do debate sobre o fim da vida.

Os pais de Lambert se opõem veementemente a encerrar a vida de seu filho e recorreram contra todas as decisões judiciais de interrupção dos cuidados médicos. No sábado eles enviaram uma carta ao presidente Emmanuel Macron e pediram sua intervenção.

Os médicos decidiram finalmente suspender os cuidados a partir desta segunda-feira, após a última decisão do Conselho de Estado francês.

A esposa de Lambert, Rachel, cinco de seus irmãos e um sobrinho apoiaram as decisões da justiça para interromper o atendimento. Eles denunciaram uma "crueldade terapêutica".

Monstros

"É uma vergonha, um escândalo absoluto, nem sequer puderam beijar seu filho", disse o advogado dos pais de Lambert, Jean Paillot.

"São uns monstros!", gritou Viviane Lambert, mãe de Vincent, em frente ao hospital em Reims (nordeste), onde ele está internado. 

Validada pelo Conselho de Estado em abril, a interrupção do atendimento médico prevê que as máquinas que hidratam e alimentam o paciente sejam desligadas. 

Ele também será sedado "profunda e continuamente até sua morte" e receberá analgésicos como precaução.

Segundo os médicos, nestas condições, o paciente falecerá em alguns dias ou uma semana.

Foi o Dr. Vincent Sanchez, chefe da unidade em que Lambert está hospitalizado há vários anos, que anunciou nesta segunda-feira por e-mail o início do protocolo de fim de vida. 

"Neste doloroso período, espero que, pelo senhor Vincent Lambert, todos saibam como abrir um parêntese e se encontrar ao seu redor, para que esses momentos sejam os mais tranquilos, íntimos e pessoais possíveis", diz o e-mail que a AFP pôde consultar.

Batalha legal

Os advogados dos pais de Lambert anunciaram no domingo que vão apresentar três novos recursos - ante o Conselho de Estado, a Corte Europeia de Direitos Humanos e a Corte de Apelação de Paris - para impedir a interrupção dos cuidados.

Eles também exigem que o dr. Sanchez seja expulso da ordem dos médicos e ameaçam iniciar uma ação legal contra ele.

Os advogados igualmente encaminharam a questão para um órgão da ONU, o Comitê dos Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD), que solicitou à França que não suspendesse os cuidados até que o mérito da questão fosse examinado.

Mas a França não é obrigada a respeitar este pedido, disse o ministro da Saúde Agnès Buzyn. 

A eutanásia está no centro do debate do caso Lambert. 

Seus pais e uma irmã acreditam que Vincent é um deficiente e cortar sua dieta e hidratação é uma forma de eutanásia, método proibido na França.

Por outro lado, sua esposa e cinco de seus irmãos denunciam uma crueldade terapêutica porque ele está em estado vegetativo e sofre lesões cerebrais consideradas irreversíveis.

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