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Correio Braziliense

Eleição para presidir a Comissão Europeia ganha espaço em cúpula do clima

Presidente do Conselho Europeu mostrou-se "cautelosamente otimista" sobre um possível acordo


postado em 20/06/2019 14:09 / atualizado em 20/06/2019 14:12

(foto: Julien Warnand/POOL/AFP)
(foto: Julien Warnand/POOL/AFP)
Autoridades europeias tentavam nesta quinta-feira (20) chegar a um consenso sobre quem presidirá a Comissão Europeia no próximo mandato, durante uma reunião de cúpula em Bruxelas em que a emergência climática também é protagonista.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, mostrou-se "cautelosamente otimista", em sua carta de convite aos líderes, sobre um possível acordo, apesar das negociações complexas iniciadas após as eleições para a Eurocâmara, no fim de maio.

Para tentarem se aproximar de um acordo, os líderes multiplicaram seus encontros desde o começo da manhã, apesar de a cúpula de dois dias começar às 13h GMT e de que a discussão sobre a divisão dos cargos de alto escalão no bloco deverá acontecer durante um jantar de trabalho.

Os primeiros-ministros da Croácia e Letônia, pelo Partido Popular Europeu (PPE, direita); de Espanha e Portugal, pelos social-democratas; e da Bélgica e Holanda, pelos liberais, tiveram um café da manhã de trabalho como negociadores de seus respectivos grupos.

Durante a reunião, todos expressaram "suas prioridades" e se mostrou "a sintonia entre social-democratas e liberais, em um clima de diálogo franco e construtivo com o PPE", maior força política do bloco, indicou o governo espanhol.

Estes três grupos políticos, juntamente com os Verdes, que não têm mandatário no Conselho, buscam obter um acordo e formar uma maioria na Eurocâmara, instituição que, em última instância, deve validar o candidato a presidir a Comissão nomeado pelos dirigentes.

Para poder ser designado pelo Conselho Europeu, o candidato a presidir a Comissão tem que reunir o apoio de pelo menos 21 dos 28 mandatários, cujos países representem 65% da população, motivo pelo qual a correlação de forças é chave.

Na Eurocâmara, os chefes de grupo dos social-democratas e os liberais anunciaram hoje o candidato da direita a presidir a Comissão, o alemão Manfred Weber, indicaram à AFP o líder dos Verdes, Philippe Lamberts, e fotes do PPE.

O PPE, maior força, com 181 das 751 cadeiras, apresentou Weber, enquanto os social-democratas (153) apresentaram o holandês Frans Timmermans e os liberais (108), a dinamarquesa Margrethe Vestager, mas nenhum conseguiria reunir a maioria, segundo várias fontes.

Para um diplomata europeu, "a pessoa capaz de reunir essa dupla maioria (no Conselho e na Eurocâmara) ainda não é conhecida". O sucessor de Jean-Claude Juncker à frente da Comissão assumirá o cargo em 1º de novembro.

Além do nome, um acordo se perfila sobre a divisão dos quatro postos de poder. O PPE reivindica a presidência da Comissão, braço executivo do bloco, uma exigência que não se discute, informaram três autoridades à AFP.

Os liberais querem a presidência do Conselho Europeu, instituição que reúne os mandatários, e os social-democratas obteriam a direção da diplomacia europeia e dividiriam com os Verdes a presidência da Eurocâmara.

"Tudo isso pode mudar", advertiu uma autoridade europeia. Além da divisão entre partidos, as nomeações também devem respeitar equilíbrios geográficos (Norte/Sul, Leste/Oeste, país pequeno/país grande) e de gênero.

Caso não se obtenha um nome, as discussões entre os líderes poderiam continuar paralelamente à reunião do G20 em Osaka, da qual participarão seis dirigentes europeus, e se fechar um acordo durante uma nova reunião de cúpula extraordinária, em 1º de julho.

"Temos que fechar rapidamente um acordo, já que precisamos de uma Comissão Europeia operacional para gerenciar o Brexit, principalmente se Boris Johnson se tornar premier do Reino Unido", assinalou um diplomata do alto escalão.
 

'Novo paradigma'

As eleições europeias também confirmaram a emergência da questão climática no bloco, impulsionada por protestos semanais de estudantes, um ponto que será abordado pelos líderes após vários dias de discussões acaloradas em Bruxelas.

Os representantes dos países da UE estavam divididos sobre incluir na declaração final a necessidade de se alcançar até 2050 a neutralidade de carbono, equilíbrio entre as emissões e a absorção de gases do efeito estufa.

No rascunho das conclusões, os líderes pedirão avanços "nas condições, nos incentivos, e no marco que devem estabelecer para determinar como garantir uma transição para uma UE climaticamente neutra até 2050". 

O texto busca anular as diferentes posições entre os países ocidentais da UE, muito mais favoráveis, e os do leste, cujas economias são mais dependentes de energias fósseis, como o carvão, caso da Polônia.

Já o Irã afirmou ter derrubado "um drone espião americano" em seu espaço aéreo, e assinalou que a violação de suas fronteiras representa "uma linha vermelha".

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