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Correio Braziliense

Navio de ONG com imigrantes desobedece proibição e entra em águas italianas

O vice-primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini, havia negado a autorização para que a embarcação atracasse no país. Espera de solução para impasse dura 14 dias


postado em 26/06/2019 12:24 / atualizado em 26/06/2019 13:43

(foto: Reprodução/Twitter )
(foto: Reprodução/Twitter )
Um navio da ONG alemã Sea Watch, com cerca de 42 imigrantes a bordo, anunciou nesta quarta-feira (26/6) que entrou em águas italianas mesmo após o vice-primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini, ter negado autorização para o ingresso. 
 
A embarcação é pivô de um impasse humanitário e diplomático. Havia 14 dias que o Sea Watch 3 estava nos limites territoriais da Itália, buscando uma solução para o impasse, levando a Comissão Europeia a cobrar, na segunda-feira (24/6), que os Estados-membros encontrassem uma solução. 
 
"Eu decidi entrar no Porto de Lampedusa (Itália). Eu sei o risco que estou correndo, mas os 42 sobreviventes que tenho a bordo estão exaustos. Vou levá-los para um lugar seguro", anunciou a capitã do Sea Watch 3, Carola Rackete, pelo Twitter. Horas depois, autoridades italiana a bordo de outro navio abordaram a embarcação e passaram a conferir documentos das pessoas a bordo do veículo da ONG.
 
 
 
O grupo de imigrantes contava inicialmente com 53 pessoas, que partiram em um barco superlotado da Líbia. A ONG alemã resgatou os imigrantes e decidiu seguir para a Itália, o país seguro mais próximo. No entanto, o governo italiano não autorizou a entrada da embarcação e permitiu apenas o desembarque de algumas pessoas que necessitavam de cuidados médicos urgentes.  
 
A ONG entrou com um pedido no Tribunal Europeu de Direitos Humanos para fazer com que a Itália receba o navio, mas a resposta não foi positiva. "Se não for este tribunal, quem vai responsabilizar os líderes pela injustiça que atualmente está acontecendo no Sea Watch 3?", questionou a mediadora cultural do grupo, Haidi Sadik. 

"Agora, temos pessoas a bordo que têm necessidades específicas e que passaram por horrores na Líbia. Mas, mesmo que esse não fosse o caso, ainda assim, todas as pessoas resgatadas no mar, por lei, precisam ser levadas para um lugar em segurança. E um resgate não termina até que cada pessoa tenha os dois pés na terra", completou. 
 
  
 

Resposta italiana

Pelo Twitter, o vice-primeiro-ministro Salvini se manifestou sobre o rompimento do bloqueio. Na primeira mensagem, disse que "a imigração não pode ser gerenciada por navios ilegais: estamos prontos para bloquear qualquer tipo de ilegalidade. Quem comete um erro, paga. A Europa? Ausente, como sempre", escreveu. 

Em outras mensagens, Salvini falou sobre a responsabilidade do governo holandês, já que o navio, apesar de ser de uma ONG alemã, estende a bandeira dos Países Baixos.  "A Itália merece respeito: esperamos que os Países Baixos assumam os imigrantes a bordo", concluiu.

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