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Correio Braziliense

Homossexualidade animal: zoo de Munique se une à semana do Orgulho Gay

''Para nós, é importante falar da homossexualidade no reino animal e mostrar que o amor entre sujeitos do mesmo sexo ocorre na natureza'', afirmou o porta-voz do zoológico de Munique, Dennis Spaeth


postado em 13/07/2019 17:04 / atualizado em 13/07/2019 17:14

(foto: Christof STACHE / AFP)
(foto: Christof STACHE / AFP)
Com seus pinguins, girafas, elefantes, leõese outros animais, o zoo de Munique participa da semana do Orgulho Gay, explicando a seus visitantes que o amor entre indivíduos do mesmo sexo também existe no reino animal. Na iniciativa, o zoo da cidade destaca a vida íntima de todas as criaturas, grandes e pequenas, para promover a tolerância entre os seres humanos.

"Para nós, é importante falar da homossexualidade no reino animal e mostrar que o amor entre sujeitos do mesmo sexo ocorre na natureza", afirmou o porta-voz do zoológico de Munique, Dennis Spaeth.

"Infelizmente, cada vez mais vemos mais gente na Alemanha da direita reacionária que ataca os direitos do [coletivo] LGTBQI [lésbicas, gays, transsexuais, bissexuais, queer, intersexuais]", completou.

Embora na Baviera, uma região da Alemanha majoritariamente católica, a aceitação dos homossexuais tenha crescido muito e apesar de ter sido aprovado, em 2017, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, os gays continuam sendo alvo de ataques violentos.

No ano passado, a polícia registrou 91 ataques motivados pela orientação sexual da vítima.

Dentro do zoo, a primeira parada do tour do Orgulho Gay é a área das girafas, onde os animais dedicam aos visitantes tímidos olhares furtivos, enquanto desfrutam de seu almoço à base de feno.

"As girafas são bissexuais. Em alguns grupos, 90% dos atos observados são, de fato, homossexuais na natureza", explica o biólogo Günter Strauss.
 
Ver galeria . 4 Fotos Zoo de MuniqueChristof STACHE / AFP
Zoo de Munique (foto: Christof STACHE / AFP )


Um pouco mais à frente, vê-se um casal de pinguins Humboldt, ambos machos, em uma rocha, separados de seus companheiros.

Isso não é uma relação pontual, porque "a conduta homossexual nas relações entre pinguins pode durar toda uma vida, algo muito raro dentro do reino animal", indica Strauss.

De fato, centenas de espécies animais, dos elefantes às serpentes, ou às aves, agem com um certo comportamento homossexual. É incomum, porém, que os bichos, peludos ou com asas, comportem-se igual aos casais humanos do mesmo sexo.

"As pessoas crescem com uma orientação sexual específica. Isso, às vezes, não acontece desse jeito com os animais", afirma Strauss.

"Na verdade, eles são bissexuais. Adotam um determinado comportamento sexual em momentos específicos", explica.

Um caso deste tipo é o dos leões. De acordo com Strauss, "8% dos atos sexuais entre os leões são homossexuais. E as leoas se comportam como lésbicas apenas quando estão em cativeiro".

Também por ocasião da Semana do Orgulho Gay, o zoo de Londres pendurou um cartaz em sua área reservada para os pinguins, dizendo: "Alguns pinguins são gays. Supere isso".

O tom ameno do texto traz uma mensagem séria. O lema "Supere isso" (do inglês "Get over it") é um dos usados pelo movimento a favor dos direitos da comunidade LGTBQI.

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