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Correio Braziliense

Coreia do Sul diz que fez disparos de alerta contra avião russo

Exército russo negou ter violado o espaço aéreo sul-coreano, assegurando que seus aviões "sobrevoaram as águas neutras do Mar do Japão"


postado em 23/07/2019 10:26 / atualizado em 23/07/2019 10:41

Aeronaves russas(foto: Sergey Venyavsky/AFP )
Aeronaves russas (foto: Sergey Venyavsky/AFP )
Caças sul-coreanos efetuaram mais de 400 disparos de advertência depois que um avião militar russo violou o espaço aéreo reivindicado por Seul e Tóquio, que também se queixou sobre o episódio.

Seul afirmou que um caça russo A-50 entrou duas vezes no espaço aéreo sul-coreano perto das disputadas Ilhas Dokdo, que o Japão chama de Takeshima.

As tensões persistentes entre Seul e Tóquio relacionadas às indenizações às vítimas sul-coreanas da política japonesa de trabalho forçado durante a guerra pioraram este mês, quando Tóquio restringiu as exportações de materiais de alta tecnologia para a Coreia do Sul.

As autoridades de Seul afirmaram nesta terça-feira que responderam à entrada do avião russo em seu espaço aéreo despachando caças F-15K e KF-16, que efetuaram mais de 400 tiros em duas séries, segundo informou um oficial militar à AFP. 

"Estamos avaliando este incidente de forma muito séria e tomaremos medidas mais duras se isso acontecer novamente", disse o assessor de Segurança Nacional Chung Eui-yong, de acordo com a porta-voz da Casa Azul, a presidência sul-coreana.

O Japão também reclamou da incursão russa. "Fomos informados que aviões militares russos que sobrevoavam o Mar do Japão esta manhã violaram nosso espaço aéreo perto de Takeshima duas vezes", disse o chefe de gabinete do governo japonês, Yoshihide Suga, em uma coletiva de imprensa.

"Com base nessas informações, emitimos fortes protestos". 

Suga, que disse que o Japão enviou aviões militares para a zona, acrescentou que Tóquio também protestou junto à Coreia do Sul por sua resposta, considerando-a extremamente lamentável.

Mas a presidência sul-coreana insistiu que as ilhotas disputadas são "uma parte integral" do território coreano "historicamente, geograficamente e sob o direito internacional".

Rússia nega

O Exército russo negou, por sua vez, ter violado o espaço aéreo sul-coreano, assegurando que seus aviões "sobrevoaram as águas neutras do Mar do Japão".

"Dois bombardeiros Tu-95MS das Forças Armadas Russas realizaram um voo planejado sobre as águas neutras do Mar do Japão", disse o ministério russo da Defesa em um comunicado, acrescentando que "nenhum tiro de advertência" foi disparado pela Coreia do Sul.

Mais cedo, a Coreia do Sul anunciou que fez os disparos contra uma aeronave militar russa que havia violado duas vezes seu espaço aéreo em sua costa leste. 

O incidente ocorreu perto das Ilhas Dokdo, reivindicadas sob o nome de Takeshima por Tóquio, que acusa a Coreia do Sul de ocupá-las ilegalmente. 

Segundo o Exército russo, trata-se de uma "zona de reconhecimento de defesa aérea" estabelecida unilateralmente por Seul e que não está prevista pelo direito internacional nem é reconhecida pela Rússia.

"A rota dos aviões Tu-95MS respeitou as regras internacionais", insistiu, acusando, por sua vez, dois caças sul-coreanos F-16 de "realizar manobras não-profissionais, cortando a rota de bombardeiros estratégicos russos e representando uma ameaça à sua segurança".

"Os pilotos sul-coreanos não tentaram entrar em contato com as tripulações dos Tu-95MS e nenhum tiro de advertência foi disparado pelos caças sul-coreanos", afirmou o ministério da Defesa russo.

Incidentes semelhantes ocorrem regularmente no Mar Báltico entre os aviões russos e ocidentais, acusando-se mutuamente de se aproximarem demais do espaço aéreo um do outro.

Em maio, seis aviões russos, incluindo bombardeiros estratégicos, também foram escoltados do Alasca por caças americanos.

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