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Jovem ativista sueca do clima viaja a Nova York em veleiro zero emissões

Travessia de duas semanas permitirá que ela participe na reunião mundial da ONU a favor do clima prevista para setembro na cidade americana

Greta Thunberg, a jovem sueca que se tornou líder da luta contra a mudança climática, iniciará nesta quarta-feira (14) uma viagem a Nova York a bordo de um veleiro de competição que não emite gás carbônico, pilotado por um membro da família real de Mônaco.

A travessia de duas semanas permitirá que ela participe na reunião mundial da ONU a favor do clima prevista para setembro na cidade americana. Greta Thunberg, de 16 anos, se negou a viajar de avião para evitar as emissões de CO2 provocadas por este meio de transporte.

Pierre Casiraghi, filho da princesa Caroline de Mônaco, ofereceu à jovem ativista um barco de forma gratuita para a viagem de 3 mil milhas náuticas, o que permitirá que a sueca leve sua mensagem ao outro lado do Atlântico.

"Nos Estados Unidos, muitas pessoas não entendem e não aceitam a ciência", declarou à AFP antes do início da viagem Greta Thunberg, que deu origem a um movimento mundial de greves escolares a favor do clima.

"Farei o que sempre faço: ignorá-los e falar apenas o que diz a ciência", afirmou.

Ela disse que tem como objetivo "criar uma opinião e movimento internacional para que as pessoas se unam e pressionem os poderosos".

O "Malizia II", um veleiro de 18 metros de comprimento capitaneado por Pierre Casiraghi e pelo marinheiro alemão Boris Herrmann, está equipado com painéis solares e turbinas submarinas que permitem gerar a eletricidade que alimenta os instrumentos de navegação, o piloto automático, os equipamentos de dessalinização e um laboratório para medir o nível de CO2 das águas.

O único equipamento que consome energia fóssil a bordo da embarcação é um pequeno fogão a gás para aquecer a água e assim reidratar os pacotes de comida vegana liofilizada que alimentarão os participantes da viagem.

O veleiro, concebido para competição, pode alcançar uma velocidade de 35 nós (70 km) por hora, mas o capitão prevê uma navegação mais lenta.

"O objetivo é chegar sãos e salvos a Nova York", disse Hermann enquanto finalizava os preparativos da viagem no porto inglês de Plymouth, onde o "Malizia II" estava ancorado.

Sua quilha de 4,5 metros torna improvável que a embarcação vire.

Até esta viagem, Greta Thunberg nunca havia navegado. Em um trajeto de teste na segunda-feira na costa de Plymouth, a adolescente passou mal, mas ela garantiu que não está preocupada com a viagem, durante a qual as comodidades serão muito básicas.

A bordo do veleiro estreito, um balde de plástico servirá de banheiro. Para dormir foram instalados quatro beliches, para Greta, seu pai, Svante, e um cineasta que prepara um documentário sobre a campanha da jovem. Hermann e Casiraghi farão um rodízio para usar o último.

"Não se pode pedir muito quando você atravessa o Atlântico de graça", afirmou Thunberg, que passou horas percorrendo a Europa de trem para divulgar sua mensagem. "Estou agradecida pelo que tenho".