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Estado Islâmico assume atentado em Cabul que deixou 63 mortos

O caso aconteceu em uma festa de casamento na capital do Afeganistão

O grupo Estado Islâmico (EI) reivindicou, neste domingo (18/8), a autoria do atentado suicida que deixou pelo menos 63 mortos e 182 feridos na noite de sábado, em uma festa de casamento em Cabul, capital do Afeganistão.

"Ontem o irmão suicida Abu Assem al-Pakistani [...] conseguiu ferir um grande grupo [...] de apóstatas" em Cabul, ao detonar "seu cinturão quando estava no meio da multidão", declaroui o grupo extremista em um comunicado publicado no aplicativo Telegram.

"Depois da chegada de membros da segurança, os mujahedines detonaram um carro-bomba", completou a mesma fonte.

"#Cabul #Afeganistão explosão em um hotel durante uma festa de casamento, pelo menos 20 pacientes chegaram ao nosso hospital #baixasmaciças", dizia ontem a conta no Twitter do hospital de emergências de Cabul, administrado pela Itália.

"Às 22h40 locais (cerca de 15h de Brasília) ocorreu uma explosão no salão de casamentos Shar Dubai, no oeste de Cabul", informou à imprensa o porta-voz do Ministério do Interior, Narrat Rahimi, compartilhando no Facebook imagens, nas quais se veem o que parecem ser muitos corpos.

Mohamad Farhag, uma das pessoas presentes no casamento, disse que estava na área reservada às mulheres quando ouviu uma forte explosão na zona destinada aos homens.

"Todo mundo correu para fora gritando e chorando", relatou.

"Durante 20 minutos, a sala ficou cheia de fumaça. Quase todo o mundo na seção de homens estava morto, ou ferido. Agora, duas horas depois do ataque, continuam tirando corpos da sala", continuou.


Segurança mínima

O porta-voz do governo, Feroz Bashari, afirmou que a explosão era "um sinal claro de que os terroristas não podem ver os afegãos expressando felicidade".

"Não podem dobrá-los matando-os. Os encarregados pelo ataque desta noite vão responder" por isso, escreveu no Twitter.

Os casamentos no Afeganistão são eventos multitudinários, com centenas, ou até milhares, de convidados comemorando juntos a cerimônia em salões de dimensões industriais, onde os homens geralmente estão separados de mulheres e crianças.

Os insurgentes atacam periodicamente estas festas de casamento, vistas como alvos fáceis por terem mínimas medidas de segurança.

Em 12 de julho, pelo menos seis pessoas morreram em um ataque suicida em outro casamento na província de Nangarhar (leste). O grupo extremista Estado Islâmico (EI) também reivindicou a autoria aquele atentado.

A explosão de sábado ocorre em um momento em que os Estados Unidos e os talibãs concluem um acordo aguardado para pactuar uma redução considerável das tropas americanas no Afeganistão em troca de que os insurgentes respeitem um cessar-fogo, rompam lanços com a Al-Qaeda e negociem com o governo de Cabul um pacto de paz duradouro.

Desde o início de seu mandato, o presidente Donald Trump diz querer retirar as tropas americanas deste país, onde Washington gastou mais de um trilhão de dólares, entre operações militares e trabalhos de reconstrução, desde 2001.

Na sexta-feira, Ahmadullah Azkhundzada, irmão do líder talibã afegão Haibatullah Akhundzada, foi uma das quatro vítimas fatais de uma explosão em uma mesquita no Baluchistão, no sudoeste do Paquistão, declarou o governo provincial.