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Correio Braziliense

Twitter e Facebook acusam China de desacreditar movimento em Hong Kong

As duas gigantes da tecnologia anunciaram que suspenderam cerca de mil contas que faziam campanha para desacreditar movimento


postado em 20/08/2019 10:35

Sede do Twitter em São Francisco(foto: Glenn Chapman/AFP)
Sede do Twitter em São Francisco (foto: Glenn Chapman/AFP)
Twitter e Facebook acusaram a China de promover uma campanha na mídia social para desacreditar a mobilização pró-democracia em Hong Kong e semear discórdia na ex-colônia britânica.

Os dois gigantes americanos da tecnologia anunciaram na segunda-feira (19) que suspenderam cerca de mil contas vinculadas a essa campanha.

"O Twitter suspendeu 986 contas que estão coordenadas no marco de uma operação respaldada pelo Estado chinês para minar a legitimidade e as posições políticas" dos manifestantes, afirmou o Twitter em um comunicado.

O Twitter também informou que fechou outras 200 mil contas, antes de serem efetivamente ativadas na rede.

"Identificamos amplos conjuntos de contas que se comportavam de forma coordenada a fim de amplificar as mensagens sobre as manifestações em Hong Kong", destacou o grupo com sede na Califórnia, Estados Unidos.

"Essas contas procuraram semear deliberadamente a discórdia política em Hong Kong e minar a legitimidade e as posições políticas dos manifestantes", acrescentou o Twitter, referindo-se às contas ativas suspensas.

O Facebook disse que algumas postagens nas contas suspensas comparavam os manifestantes de Hong Kong com os combatentes do grupo do Estado Islâmico, chamando-os de "baratas" e atribuindo a eles a planos de assassinato.

- Twitter: Pequim age nos bastidores
As pessoas que dirigiram a campanha utilizaram "táticas enganosas", incluindo contas falsas para se fazer passar por organizações de notícias, divulgar conteúdo e direcionar as pessoas, revelou o chefe de Políticas de Cibersegurança da Rede Social, Nathaniel Gleicher.

"Com frequência publicaram notícias e assuntos políticos locais, incluindo temas como os protestos em curso", completou.

"Apesar da tentativa de ocultar sua identidade, nossa investigação encontrou vínculos com pessoas associadas ao governo chinês", afirmou.

O Twitter lembrou que seu serviço é proibido pelo governo da China continental, cujos agentes, paradoxalmente, precisaram recorrer a um VPN (uma rede virtual que permite contornar as restrições para operar em uma determinada área geográfica).

Outros agentes usaram endereços IP desbloqueados para essa mesma finalidade.

O Facebook, que também é proibido na China continental, disse que cerca de 15.500 contas estavam seguindo uma ou mais das páginas que acabaram de ser deletadas de sua plataforma.

O movimento de protesto em Hong Kong foi provocado pela oposição generalizada a um plano para permitir extradições à China continental, mas levou a um movimento mais amplo pró-democracia.

Oficialmente, Pequim não intervém de modo direto na crise e permite que ela seja confrontada pelo governo local de Hong Kong. De acordo com o Twitter e o Facebook, porém, nos bastidores, o governo central chinês tenta influenciar a opinião pública por meio de redes sociais.

Ao longo de várias semanas de protestos, que envolveram milhões de pessoas em Hong Kong, os boatos on-line e as teorias de conspiração semearam confusão e aprofundaram a desconfiança.

Importante centro financeiro global, Hong Kong foi devolvida por Londres a Pequim em 1997, mas esse território de sete milhões de habitantes mantém um status especial de certa autonomia e com liberdades inexistentes na China.

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