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Correio Braziliense

Ministro da Fazenda argentino se reunirá com o FMI

Reunião acontece em meio à recessão econômica e à incerteza eleitoral no país


postado em 12/09/2019 17:03

Hernán Lacunza, ministro da Fazenda da Argentina (foto: Juan Mabromata/AFP)
Hernán Lacunza, ministro da Fazenda da Argentina (foto: Juan Mabromata/AFP)
O ministro da Fazenda da Argentina, Hernán Lacunza, se reunirá neste mês em Washington com o Fundo Monetário Internacional (FMI), em meio à recessão econômica e à incerteza eleitoral em seu país. 

"A situação continua muito difícil", admitiu nesta quinta-feira (12/9) Gerry Rice, porta-voz do FMI, ao registrar o crescimento da inflação e da pobreza na Argentina.

"A complexidade das condições do mercado e a persistente incerteza política tornam a situação ainda mais difícil. Isso deverá estar no centro das discussões quando o ministro vier, neste mês", acrescentou.

Ele lembrou que desde meados de agosto a Argentina sofre uma nova crise de confiança "que afeta duramente a estabilidade macroeconômica".

Os mercados entraram em crise depois que o candidato presidencial peronista de centro-esquerda Alberto Fernández se tornou o favorito absoluto em agosto para vencer as eleições de 27 de outubro, nas quais o presidente liberal Mauricio Macri tentará renovar seu mandato. 

"Nosso compromisso com a Argentina continua forte", afirmou Rice. "O objetivo do FMI é tentar ajudar as autoridades a estabilizar a situação difícil e trazer a confiança de volta para retomar o caminho do crescimento", afirmou. 

Após as eleições primárias em 11 de agosto, em que Fernández foi escolhido como favorito em outubro, a moeda, o mercado de ações e a dívida sofreram graves reveses. A Argentina pediu ao FMI que reestruturasse o empréstimo por US $ 57,1 bilhões concedidos no ano passado em troca de medidas de austeridade.

Os primeiros pagamentos da Argentina ao FMI estão programados para 2021, e os mercados e economistas preveem um calote. 

Rice reagiu às críticas ao FMI por conceder o maior empréstimo da história da entidade para um país cuja capacidade de honrar suas dívidas está seriamente comprometida. 

"Quando nos esforçamos para ajudar um país, nunca fazemos isso sem riscos", afirmou Rice. E "os riscos são grandes quando a situação já é frágil", acrescentou. Ele lembrou que a Argentina pediu ajuda ao FMI em 2018, quando a crise já estava fortemente instalada. 

"Em termos de avaliação de riscos, nos esforçamos para ser transparentes, documentar os riscos", disse, convidando a revisar os relatórios do FMI alertando sobre os numerosos problemas que espreitavam a Argentina. 

Nos relatórios mais recentes, "os riscos, incluindo fatores externos e domésticos, foram destacados como provavelmente exacerbados por reações negativas do mercado e incertezas políticas", disse.

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