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Correio Braziliense

Novas projeções científicas apontam +7ºC em 2100

Em 2014, o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) apontava para um aumento de 4,8ºC


postado em 17/09/2019 13:56

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
O aquecimento global se anuncia mais pronunciado do que o previsto, com o pior cenário prevendo +7ºC em 2100 - alertaram cientistas franceses nesta terça-feira (17/9), apresentando novos modelos climáticos que vão servir de base para o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Em 2021, os especialistas climáticos da ONU vão revelar seu novo relatório de avaliação sobre a evolução do clima, o sexto desde 1990. Cerca de 100 pesquisadores e engenheiros franceses, principalmente do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), do Comissariado para a Energia Atômica (CEA) e da Météo-France, trabalharam na elaboração de dois modelos climáticos que vão alimentar os trabalhos.

Esses modelos foram, em seguida, submetidos a vários cenários socioeconômicos.

No cenário mais pessimista, com base em um crescimento econômico rápido alimentado por energias fósseis, o aumento da temperatura média mundial atinge de 6,5ºC a 7ºC em 2100. No último relatório do IPCC de 2014, o pior cenário previa 4,8ºC em relação ao período pré-industrial.

E o que isso significa concretamente para as sociedades humanas? Na França, a multiplicação de ondas de calor é um bom exemplo, responderam os cientistas durante uma coletiva de imprensa. A onda de calor de 2003, que matou 15.000 pessoas na Europa, será comum nos anos 2050.

Isso será acompanhado de "secas muito mais longas e prolongadas", "práticas agrícolas em grandes dificuldades", "incêndios florestais que se multiplicam em regiões onde hoje não são muito frequentes", aponta David Salas y Melia, pesquisador climatologista e responsável pelo clima no centro de pesquisa CNRM (Météo-France-CNRS).

Os cientistas também submeteram seus modelos climáticos a outros cenários. Os mais otimistas, com base em uma forte cooperação internacional e prioridade dada ao desenvolvimento sustentável, permitiria permanecer logo abaixo da meta de aquecimento de 2°C e "ao custo de exceder temporariamente a meta de 2°C durante o século".

Esse cenário implica a redução imediata das emissões de CO2, a neutralidade global de carbono em 2060 e uma captura atmosférica de CO2 de cerca de 10 a 15 bilhões de toneladas por ano em 2100, o que é tecnicamente incerto.

Agir agora 

 
O Acordo Climático de Paris de 2015 prevê limitar o aquecimento global bem abaixo de 2°C, ou mesmo 1,5°C. O mundo não segue este caminho, pois os compromissos assumidos até agora pelos Estados levariam a um aquecimento de 3°C.

Na segunda-feira (16/9), o secretário-geral da ONU, António Guterres, convocou uma cúpula em Nova York para pedir aos líderes mundiais que aumentem suas ambições.

"A temperatura média do planeta no final do século depende muito das políticas climáticas que serão implementadas agora e ao longo do século XXI", insistem o CNRS, Météo-France e CEA em sua apresentação.

Essa notícia é ainda mais preocupante, pois esses novos modelos climáticos desenvolvidos pelo CNRM e pelo Instituto Parisiense Simon Laplace são mais confiáveis e mais refinados do que os anteriores.

"Há um salto qualitativo nos resultados dos modelos", insistiu Pascale Braconnot.

Outros modelos estrangeiros que já foram divulgados, sobre os quais o IPCC também se debruçará, também estão apontando para um aquecimento acentuado.

"Isso pode ser explicado por uma resposta climática mais forte ao aumento dos gases de efeito estufa antropogênicos do que nas simulações de 2012, mas as razões para esse aumento da sensibilidade e o grau de confiança a ser adicionado ainda precisam ser avaliados", de acordo com a apresentação.

Graças a essa escala mais refinada, os pesquisadores modelaram melhor as consequências do aquecimento global na Europa Ocidental para as ondas de calor, mas também sobre a evolução das geleiras no Ártico, que pode desaparecer, ou quase desaparecer, no verão no final do século, ou os ciclones no Oceano Índico.

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