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Correio Braziliense

Carro-bomba e ataque com drones deixam 29 mortos no Afeganistão

Em três dias, quatro ataques foram registrados no país, deixando 70 mortos e dezenas de feridos


postado em 19/09/2019 11:59

Autoridades investigam atentado que deixou vários mortos no Afeganistão (foto: Str/AFP)
Autoridades investigam atentado que deixou vários mortos no Afeganistão (foto: Str/AFP)
O Afeganistão foi cenário de novos ataques, pelo terceiro dia consecutivo, nesta quinta-feira (19/9): a explosão de um carro-bomba perto de um hospital deixou 20 mortos e um ataque de drones contra combatentes islamitas matou pelo menos nove civis.

"Como um terremoto", afirmou uma testemunha do atentado de Qalat, sul do país.

O ataque teve como alvo a sede local do Serviço de Inteligência Afegão (NDS), informou o governador da província de Zabul, Rahmatullah Yarmal.

"O hospital regional que fica no mesmo terreno foi destruído", completou o governador.

Este foi o quarto atentado em três dias no país, a menos de dez dias das eleições presidenciais. Os ataques desta semana deixaram quase 70 mortos e dezenas de feridos. Três deles foram reivindicados pelos talibãs.

Poucas horas depois, nove trabalhadores agrícolas morreram na província de Nangarhar (leste) por disparos de drones.

O ataque "estava supostamente direcionado contra combatentes do Daesh (acrônimo árabe do grupo Estado Islâmico), mas atingiu civis por engano", admitiu o porta-voz da polícia da província, Mubariz Attal.

A AFP entrou em contato com o Ministério afegão da Defesa, mas nenhuma fonte aceitou comentar o assunto. Todos alegaram que o caso está sendo investigado.

Cenário de devastação

 
No Afeganistão, os ataques aéreos podem ser executados somente pelo Exército do país, ou por militares americanos.

O atentado de Qalat "provocou a morte de 20 pessoas e deixou 90 feridos", afirmou o vice-governador da província de Zabul, Ahmad Tawab. "Foi um ataque com caminhão-bomba", completou.

O atentado foi reivindicado pelo porta-voz dos talibãs Qari Yusuf Ahmadi. "Executamos um ataque mártir contra o NDS", anunciou ele em uma mensagem, na qual afirma que o edifício foi completamente destruído.

Fotografias enviadas para a AFP mostram um cenário de grande devastação.

"Os talibãs demonstraram, de novo, que seu combate é contra o povo do Afeganistão e que não fazem mais do que matar as pessoas e destruir infraestruturas públicas", reagiu o presidente afegão, Ashraf Ghani, em um comunicado.

O Afeganistão registra o aumento do número de atentados com a aproximação das eleições presidenciais, previstas para 28 de setembro.

Na terça-feira, 48 pessoas morreram em dois ataques suicidas: um, no centro do país durante um comício do presidente Ghani, que escapou ileso; e outro, em Cabul, contra um centro de recrutamento do Exército.

Na quarta-feira, quatro civis morreram e vários ficaram feridos em um atentado suicida e em um ataque contra um prédio oficial de Jalalabad (leste).

Na reivindicação do ataque contra o comício de Ghani, os talibãs disseram ter alertado a "população a não participar de comícios de eleições de fantoches".

As eleições afegãs acontecerão depois que o presidente americano, Donald Trump, interrompeu em 7 de setembro as negociações com os talibãs para uma retirada progressiva das tropas dos Estados Unidos do Afeganistão.

O governo afegão permaneceu à margem das negociações e considera as eleições um modo de retornar ao processo.

O Exército dos EUA está presente no Afeganistão desde 2001, quando expulsou os talibãs do poder. Hoje, quase 13 mil soldados americanos permanecem no país.

EUA cortam ajuda ao Afeganistão

 
Na sequência dos ataques nesta quinta, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, acusou o governo afegão de leniência diante da corrupção e decidiu reter 160 milhões de dólares em ajuda para o país.

"Nos opomos aos que exploram suas posições de poder e de influência para privar o povo afegão dos benefícios da ajuda estrangeira e de um futuro mais próspero", disse Pompeo, em um comunicado.

O chefe da diplomacia americana acrescentou que os Estados Unidos vão suspender a colaboração com um órgão do governo afegão encarregado do acompanhamento da corrupção, já que a entidade se mostrou "incapaz de atuar como sócio".

Uma das dotações, de 100 milhões de dólares, estava destinada a um amplo projeto de energia para conectar um eixo no leste do país entre Ghazni, Kandahar, Kajaki e Kandahar. Segundo autoridades americanas, porém, o projeto poderá ser completado com mais recursos.

Pompeo disse ainda que vai reter 60 milhões de dólares em ajuda para a autoridade de compras do governo afegão.

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