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Correio Braziliense

Exilado há 8 anos, ex-presidente da Tunísia morre aos 83 anos

Zine El Abidine Ben Ali foi destituído do cargo pelo movimento "Primavera árabe"


postado em 19/09/2019 14:40 / atualizado em 19/09/2019 15:02

Zine El Abidine Ben Ali, ex-presidente tunisiano destituído(foto: Handout/AFP)
Zine El Abidine Ben Ali, ex-presidente tunisiano destituído (foto: Handout/AFP)
O ex-presidente tunisiano destituído Zine El Abidine Ben Ali, de 83 anos, faleceu nesta quinta-feira (19/9) na Arábia Saudita, onde vivia exilado após a revolução de 2011 - informou à AFP o Ministério das Relações Exteriores da Tunísia.

"Tivemos a confirmação de sua morte há 30 minutos", disse o Ministério sem dar mais detalhes.

Contactado pela AFP, Mounir Ben Salha, advogado de Ben Ali, já havia mencionado o falecimento, citando como fontes a família e o médico do ex-presidente.

Após mais de duas décadas de poder repressivo, Ben Ali foi derrubado no início de 2011 por um movimento popular, o ponto de partida de uma onda de revoltas na região conhecida como "Primavera Árabe".

Ele fugiu em 14 de janeiro de 2011 para Jidá, na Arábia Saudita. Desde então, viveu com sua família exilado no reino.

Boatos sobre sua morte circularam várias vezes nos últimos anos.

Em 12 de setembro, o advogado Ben Salha declarou que o presidente deposto se encontrava "em estado crítico", mas negou os rumores de morte.

"Ele não está morto, mas sua saúde está ruim. Ele deixou o hospital e atualmente está sendo tratado em casa. Sua condição está se estabilizando", disse ele a uma estação de rádio local.

Reagindo a esses últimos "rumores", o primeiro-ministro da Tunísia, Youssef Chahed, garantiu que estava pronto para "autorizar seu retorno" ao país.

"Este é um caso humanitário. Se ele estiver doente, como apontam os rumores, ele pode voltar para seu país como qualquer tunisiano", disse Chahed, entrevistado pelo canal Hannibal TV. "Se ele quiser voltar para ser enterrado aqui, darei a autorização", completou.

Logo após o anúncio da morte nesta quinta-feira, o local do funeral e enterro - Arábia Saudita, ou Tunísia - ainda é uma incógnita.

Ben Ali e sua esposa, Leila Trabelsi, governaram a Tunísia com punho de ferro por 23 anos, conduzindo a economia do país a rédeas curtas.

Em 7 de novembro de 1987, graças a um "golpe de Estado médico" contra o pai da independência tunisina, Habib Bourguiba, autoproclamado presidente vitalício, Zine El Abidine Ben Ali chegou ao poder.

Ben Ali - sucessivamente general, chefe da segurança nacional, ministro do Interior e primeiro-ministro no momento do golpe - logo estabeleceu um regime repressivo.

Militar de carreira formado em parte na França (Saint-Cyr) e nos Estados Unidos, "ZABA" (suas iniciais), como era apelidado por seus opositores, apoiou-se no aparato policial para sufocar qualquer contestação, sobretudo islamita, bem como para manipular a imprensa e os sindicatos.

Pai de seis filhos, incluindo três de um primeiro casamento, era frequentemente acompanhado por sua segunda esposa, Leila, detestada pela população por ter, com seu clã familiar, feito importantes cortes na economia do país.

Ao mesmo tempo, Ben Ali contava com o apoio inabalável de grande parte da comunidade internacional, sendo percebido como um baluarte contra os islâmicos.

Desemprego, miséria, corrupção e marginalização de regiões inteiras culminaram, em 17 de dezembro de 2010, na imolação do vendedor ambulante Mohamed Bouazizi. O episódio iniciou a revolução e, após um mês de manifestações e de quase 300 mortes, Ben Ali e seu regime caíram.

Em 2018, após um julgamento à revelia por "homicídio doloso", "abuso de poder", ou ainda "desvio de fundos públicos", ele foi condenado a diferentes sentenças, incluindo várias penas de prisão perpétua.

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