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Correio Braziliense

Milhares de estudantes iniciam greve global contra mudança climática

Jovens de todo o mundo fazem greve climática para protestar contra a inação governamental sobre as mudanças climáticas e a poluição ambiental


postado em 20/09/2019 13:35

Estudantes aderem ao movimento chamado
Estudantes aderem ao movimento chamado "sextas-feiras para o futuro" (foto: Asif Hassan/AFP)
Centenas de milhares de estudantes participam nesta sexta-feira (20) de um dia de manifestações em todo planeta, no que promete ser a maior mobilização da história para conscientizar os adultos sobre a importância de atuar contra a mudança climática.

 

Os alunos de grandes cidades como Sydney, Manila, Mumbai, Seul e Bruxelas responderam à convocação da jovem ativista sueca Greta Thunberg: não compareceram às aulas hoje e participaram da greve escolar simbólica.

 

Mais de 300 mil crianças, pais e ativistas protestaram nas principais cidades australianas, o dobro do registrado em uma jornada similar em março. Mais de 5 mil eventos estão programados para acontecer no mundo inteiro.

 

O objetivo da campanha "Sextas-Feiras pelo Futuro" (Fridays for Future) é mobilizar crianças e adolescentes de todo planeta para que pressionem as pessoas que tomam as decisões, assim como as grandes empresas. Espera-se, assim, a adoção de medidas drásticas para conter o aquecimento global provocado pela ação humana.

 

Após as manifestações na Europa e nas principais cidades da América Latina, a jornada deve terminar em Nova York, com uma enorme manifestação com mais de um milhão de estudantes de 1.800 escolas.

 

Os estudantes de Vanuatu, nas Ilhas Salomão, foram os primeiros a sair às ruas.

 

Em Tóquio, quase 3 mil pessoas protestaram de maneira pacífica. "O que nós queremos? Justiça climática! Quando queremos? Agora!", gritaram os participantes.

 

Na Indonésia, milhares de pessoas aderiram à convocação. O país é palco de incêndios florestais, que provocaram uma grande nuvem de fumaça tóxica nos últimos dias.

 

Na África do Sul, 500 pessoas protestaram em Johannesburgo.

 

Na Europa, 15 mil pessoas compareceram a uma manifestação em Bruxelas, enquanto na Alemanha, onde os ecologistas têm um forte peso eleitoral, ativistas bloquearam o trânsito no centro de Frankfurt. Em Berlim, o principal evento começou no emblemático Portão de Brandeburgo.

 

Em Paris, Jeannette, de 12 anos, estava acompanhada do pai, Fabrice. "É meu aniversário e pedi para vir. A situação me deixa triste. Estamos em apuros e estamos fazendo tudo errado", disse.

 

Na quinta-feira, Greta, adolescente sueca de 16 anos que se tornou um símbolo da frustração de uma geração com o tratamento dado à questão climática, insistiu em que há soluções que estão sendo "ignoradas" e pediu aos jovens que tomem a iniciativa.

 

"Tudo conta, o que você faz conta", afirmou, em uma mensagem de vídeo.

 

As manifestações também foram importantes em Nova Délhi, Mumbai e Manila. Algumas autoridades locais, escolas e empresas estimularam a participação. Outras instituições criticaram o movimento, afirmando que as faltas devem ser explicadas. Os jovens não parecem, porém, dispostos a ceder.

 

"Estamos aqui para enviar uma mensagem às pessoas que estão no poder e mostrar que estamos preocupados, que isto realmente é importante para nós", afirmou Will Connor, de 16 anos, em Sydney.

 

O debate sobre a mudança climática é diário na Austrália, um dos maiores exportadores de carvão do mundo e com minas que geram empregos e impulsionam a economia.

 

O país também sofre, contudo, as consequências da mudança climática. Nos últimos anos, registrou secas, incêndios florestais, inundações devastadoras e a perda irremediável da Grande Barreira de Corais.

 

Conservador, o governo australiano não chegou ao ponto de negar a mudança climática, mas deseja limitar a discussão a uma escolha entre gerar empregos, ou cumprir as metas de emissão de gases causadores do efeito estufa.

 

"Nos vemos nas ruas!", anunciou a seguradora Future Super, que conseguiu reunir 2 mil empresas na campanha a favor dos protestos.

 

O CEO da Amazon, Jeff Bezos, comprometeu-se a alcançar a neutralidade de carbono até 2040 e estimulou outras empresas a seguirem o mesmo caminho.

 

Os protestos desta sexta-feira preparam o caminho para duas semanas de mobilização em Nova York, começando pela Cúpula da Juventude sobre o Clima, que acontece sábado na ONU.

 

Na próxima segunda-feira (23), o secretário-geral da ONU, António Guterres, preside uma reunião de emergência, na qual pretende solicitar aos líderes mundiais que fortaleçam e ampliem os compromissos adotados em 2015 no Acordo de Paris.

 

De acordo com as últimas estimativas publicadas pela ONU, para se ter alguma chance de conter o aquecimento global em 1,5ºC acima da temperatura média do século XIX, o mundo teria de zerar as emissões de carbono até 2050. 

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