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Correio Braziliense

França se nega a assinar acordo entre a União Europeia e o Mercosul

A ministra do Meio Ambiente da França disse que o motivo é o "desrespeito do Brasil com a floresta Amazônica"


postado em 08/10/2019 14:09 / atualizado em 08/10/2019 18:09

"Não podemos assinar o acordo de comércio com um país que não respeita a floresta amazônica" (foto: Alain Jocard/AFP)
Depois de 20 anos de negociação, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, finalmente firmado no fim de junho, corre o risco de ruir em meio à falta de diplomacia do governo brasileiro na área ambiental. A França, uma das maiores economias da Europa, está impondo barreiras para a concretização do tratado por considerar que o Brasil não está respeitando o Acordo de Paris sobre o clima

"Não podemos assinar o acordo de comércio com um país que não respeita a floresta amazônica, que não respeita o Acordo de Paris. A França não vai assinar o acordo com o Mercosul nestas condições", afirmou a ministra do Meio Ambiente do governo Emmanuel Macron, Élisabeth Borne, em entrevista ao canal de tevê BFM.

Em setembro, o Parlamento da Áustria votou contra o acordo de livre comércio entre o bloco europeu e o sul-americano, integrado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

A imagem do país lá fora tem sido bastante afetada em meio às queimadas na Amazônia e às ofensas do presidente Jair Bolsonaro ao presidente Emmanuel Macron, e à chanceler alemã, Angela Merkel. 

Assista ao vídeo:



Em nota, o Ministério das Releções Exteriorer (MRE) informou não haver "registro de oposição formal ao acordo Mercosul – EU, a não ser declarações informais de alguns funcionários de governos europeus". Confira na íntegra:

"Mercosul e União Europeia formarão uma área de livre comércio que soma US$ 19 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB) e um mercado de 750 milhões de pessoas. O acordo deverá gerar impacto positivo no mercado de trabalho tanto na União Europeia como no Brasil. No caso brasileiro, o acordo tem o potencial de agregar US$ 9,9 bilhões às exportações do Brasil para a União Europeia, segundo cálculos da CNI. Isso representaria um aumento de 23,6% nas exportações em dez anos, o que poderia proporcionar a criação de 778,4 mil postos de trabalho no Brasil.

Não há, até o momento, registro de oposição formal ao acordo Mercosul – EU, a não ser declarações informais de alguns funcionários de governos europeus. Tendo em vista o cumprimento das metas do Brasil no Acordo de Paris e o compromisso com a preservação e o emprego sustentável de nossa floresta, não há razão para que não sigamos no acordo."

Cordialmente,

Departamento de Comunicação Social
Ministério das Relações Exteriores."

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