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Correio Braziliense

Governo britânico insiste em afirmar que haverá Brexit no dia 31

"Vamos sair até 31 de outubro. Temos os meios e a habilidade para fazê-lo", disse ministro responsável pelas preparações de um Brexit sem acordo


postado em 21/10/2019 11:02 / atualizado em 21/10/2019 11:09

Chanceler britânico Michael Gove (foto: Jessica Taylor/AFP)
Chanceler britânico Michael Gove (foto: Jessica Taylor/AFP)
O governo britânico insistiu neste domingo, 20, que o Reino Unido deixará a União Europeia no dia 31, apesar de o premiê, Boris Johnson, ter sido forçado pelo Parlamento a enviar uma carta ao bloco europeu pedindo um adiamento do Brexit.

"Vamos sair até 31 de outubro. Temos os meios e a habilidade para fazê-lo", disse Michael Gove, ministro responsável pelas preparações de um Brexit sem acordo, à rede Sky News.

Em um duro revés para Johnson, o Parlamento adiou de sábado para hoje a votação sobre o acordo alcançado na quinta-feira entre Londres e a UE, em uma manobra que fez entrar automaticamente em vigor o chamado Benn Act, tramitado semanas atrás pelos mesmos deputados, que tem como objetivo impedir uma saída britânica sem acordo. Segundo a lei, se o acordo não fosse votado até sábado, Johnson seria obrigado a pedir uma prorrogação sob a ameaça de prisão.

O secretário britânico de Relações Exteriores, Dominic Raab, disse à rede BBC estar confiante de que o governo conseguirá apoio suficiente para aprovar o acordo e, finalmente, deixar o bloco no prazo. Os trabalhistas, no entanto, disseram que vão tentar levar o acordo a um referendo.

O partido unionista norte-irlandês DUP, base de apoio do governo, rejeita o novo acordo, segundo o qual a província britânica continuaria a ser administrada por algumas regulamentações do Mercado Comum Europeu e permaneceria de fato em uma união alfandegária com a UE, embora permanecesse legalmente na mesma zona aduaneira que o restante do Reino Unido. Contrários a qualquer tipo de Brexit, também devem votar contra o governo os nacionalistas escoceses do SNP e os centristas do Partido Liberal-Democrata.

O jornal Sunday Times afirmou no domingo que a União Europeia está esperando para ver o resultado da votação de hoje no Parlamento para tomar alguma decisão e adiará o Brexit até fevereiro de 2020 caso Johnson não consiga aprovar seu acordo.

O adiamento não seria definitivo, e o Reino Unido poderia sair antes, em 10 ou 15 de novembro, dezembro ou janeiro, caso seu acordo seja ratificado antes do fim da extensão, disse o jornal britânico, citando fontes diplomáticas. Nenhuma decisão será tomada até que governos da UE tenham a oportunidade de avaliar as chances do acordo de saída ser aprovado pelo Parlamento antes de terça-feira, acrescentou o jornal.

Diplomatas disseram que a União Europeia tentará ganhar tempo para decidir sobre o pedido relutante do primeiro-ministro britânico após uma reunião de urgência realizada no domingo. Do ponto de vista da UE, as opções de extensão variam de apenas um mês adicional até o final de novembro a meio ano ou mais. "Estamos buscando mais clareza até o final da semana, esperando que, a essa altura, também vejamos como as coisas se desenvolvem em Londres", disse um diplomata da UE.

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