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Correio Braziliense

Oposição denuncia fraude em eleição na Bolívia e manifestantes vão às ruas

Após afugentar a polícia, os manifestantes ocuparam o acesso ao tribunal eleitoral, abandonado pelos funcionários, revelou o site do jornal Correo del Sur, de Sucre


postado em 22/10/2019 08:08 / atualizado em 22/10/2019 08:37

Em La Paz, grupos de opositores protestavam nas ruas(foto: Aizar Raldes / AFP)
Em La Paz, grupos de opositores protestavam nas ruas (foto: Aizar Raldes / AFP)
Milhares de pessoas ocuparam as ruas de diversas cidades da Bolívia na noite desta segunda-feira(21/10), para protestar contra uma suposta fraude na apuração das eleições de domingo, que levaria o presidente Evo Morales à reeleição logo no primeiro turno.

Uma multidão enfurecida incendiou a fachada da sede do tribunal eleitoral da cidade de Sucre, 700 km a sudeste de La Paz, em meio aos gritos de "fraude!", fazendo a polícia de choque recuar.

Após afugentar a polícia, os manifestantes ocuparam o acesso ao tribunal eleitoral, abandonado pelos funcionários, revelou o site do jornal Correo del Sur, de Sucre.

Em Oruro (sul), centenas de jovens tentaram ocupar a sede do tribunal eleitoral, mas foram dispersados com bombas de gás lacrimogêneo pela polícia de choque, segundo o portal Doble Impacto.

Em Cochabamba (centro), manifestantes romperam o perímetro de isolamento do local da apuração, mas foram finalmente contidos pela polícia, revelou o jornal Opinión.

Em La Paz, grupos de opositores protestavam nas ruas e acusavam o tribunal eleitoral de fraudar a apuração para beneficiar Morales, enquanto partidários do presidente comemoravam sua reeleição no primeiro turno.

Os protestos começaram em Potosi (sudeste), onde o Tribunal Departamental decidiu suspender a apuração de votos, mas em seguida os manifestantes ocuparam as ruas de Santa Cruz (leste), tradicional feudo da oposição, e de La Paz.

O candidato presidencial Carlos Mesa, adversário de Morales, já declarou que não reconhecerá os resultados de uma apuração fraudada.

"Não vamos reconhecer estes resultados, que são parte de uma fraude consumada de maneira vergonhosa e que está colocando a sociedade boliviana em uma situação de tensão desnecessária", declarou Mesa a meios de comunicação de Santa Cruz, no leste do país.

A apuração rápida de atas (TREP), reiniciada no final da tarde desta segunda-feira, atribuía a Morales 46,87% dos votos, contra 36,73% para Carlos Mesa, com 95,30% das atas verificadas, concedendo ao presidente de esquerda 10,14 pontos de vantagem, o suficiente para vencer no primeiro turno.

O tribunal eleitoral "fraudou a apuração e deu 10 pontos de diferença (para Morales). Agora imagino que vão aumentar isto, consumando a fraude, consumando um roubo eleitoral inaceitável", denunciou Mesa.

Segundo a Constituição boliviana, para vencer no primeiro turno o candidato deve obter mais de 50% dos votos votos válidos ou aos menos 40% com uma vantagem de 10 pontos sobre o segundo colocado.

"O governo criou uma situação impossível e denunciamos isto também à comunidade internacional", disse Mesa, presidente boliviano entre 2003 e 2005.

A missão de observadores da OEA na Bolívia manifestou nesta segunda-feira sua "profunda preocupação e surpresa pela mudança drástica e difícil de justificar na tendência dos resultados preliminares conhecidos após o fechamento das urnas" no domingo.

Quando o sistema de contagem rápida TREP foi suspenso por um tribunal eleitoral (TSE), na noite de domingo, os números "indicavam claramente um segundo turno, tendência que coincidia com a única apuração rápida autorizada e com o exercício estatístico da Missão" da OEA.

Em La Paz, nos arredores de um luxuoso hotel onde o TSE faz a apuração dos votos, militantes do partido de Mesa, o Comunidade Cidadã, estiveram desde o meio-dia agitando bandeiras do partido e gritando para pedir respeito à votação que, insistem, assegura um segundo turno.

"Eu vim pedir o respeito ao meu voto, é evidente que aqui houve uma fraude", disse à AFP o jovem Alexis Romero.

Do lado oposto, Milka, uma militante pró-Morales, que não quis dar seu sobrenome, disse: "estamos aqui para defender o voto da cidadania".

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