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Correio Braziliense

Piñera se reúne com líderes políticos para tentar acalmar as ruas no Chile

Abalado pela onda de violência mais grave registrada no Chile desde o retorno da democracia em 1990 e que já deixou 15 mortos


postado em 22/10/2019 11:08

Os protestos começaram na sexta-feira (18/10) motivados pelo aumento do preço da passagem do metrô (foto: Javier Torres / AFP)
Os protestos começaram na sexta-feira (18/10) motivados pelo aumento do preço da passagem do metrô (foto: Javier Torres / AFP)
O presidente Sebastián Piñera tentará nesta terça-feira (22/10) encontrar uma saída para a explosão social que abala o Chile há cinco dias, com reuniões com os líderes dos partidos políticos, no momento em que os protestos podem ser ampliados com greves e novas mobilizações.  

Abalado pela onda de violência mais grave registrada no Chile desde o retorno da democracia em 1990 e que já deixou 15 mortos, o presidente, que no domingo afirmou que o país estava em guerra, mudou de tom.

"Vamos explorar e avançar para um acordo social que permita a todos, nos aproximarmos com rapidez, eficácia e também com responsabilidade em busca de melhores soluções para os problemas que afetam os chilenos", afirmou na segunda-feira.

Os protestos começaram na sexta-feira (18/10) motivados pelo aumento do preço da passagem do metrô em Santiago medida que o governo suspendeu, mas rapidamente foram ampliados para um movimento maior, que apresenta outras demandas sociais. 

As manifestações provocaram confrontos com as forças de segurança, saques e incêndios em estabelecimentos comerciais: 11 pessoas morreram na região metropolitana e quatro em outras regiões do país, três delas atingidas por tiros, de acordo com um balanço atualizado divulgado nesta terça-feira.

O número de detidos subiu para 2.643 em todo o país.
 
O Instituto Nacional de Direitos Humanos informou que 84 pessoas foram feridas por armas de fogo.

Santiago e a maioria das 16 regiões do Chile se encontram em estado de emergência e 20 mil militares e policiais foram mobilizados para impedir novos atos de violência nos protestos.

As autoridades temem um agravamento do cenário depois que a Central Unitária dos Trabalhadores (CUT),  o sindicato mais influente do Chile, e outras 18 organizações sociais convocaram greves e mobilizações para quarta-feira (23/10) e quinta-feira (24/10).

Os sindicatos de trabalhadores da saúde pública também anunciaram uma paralisação e protestos.

Com um transporte público limitado, o comércio e bancos estão funcionando de maneira parcial. Os chilenos saíram de casa nesta terça-feira para trabalhar ou estudar e enfrentaram longas filas.

Assim como na segunda-feira, o metrô de Santiago, que recebe quase três milhões de pessoas diariamente, funciona com apenas uma de suas sete linhas e com o auxílio de 4.300 ônibus públicos, que são complementados por um serviço de táxis para atender a demanda.

As aulas foram suspensas em quase 50 bairros da capital chilena e algumas universidades cancelaram as atividades acadêmicas. Hospitais e policlínicas devem funcionar no horário normal.

A companhia aérea LATAM, a maior da América Latina, foi obrigada a cancelar ou reprogramar centenas de voos no aeroporto de Santiago.

A onda de violência perdeu intensidade durante a madrugada de terça-feira, a terceira noite com toque de recolher em Santiago e outras oito regiões chilenas.

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