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Correio Braziliense

Cidade da Califórnia destruída pelo fogo há um ano tenta se reerguer

As pessoas que decidiram retornar vivem nas poucas estruturas que ficaram de pé ou em trailers estacionados em lotes livres de escombros


postado em 23/10/2019 11:29 / atualizado em 23/10/2019 11:41

Dos 26 mil moradores de Paradise antes do incêndio, hoje restam 4 mil(foto: Robyn Beck / AFP)
Dos 26 mil moradores de Paradise antes do incêndio, hoje restam 4 mil (foto: Robyn Beck / AFP)
"Estamos construindo uma cidade inteira praticamente do zero", afirma Jody Jones, prefeita de Paradise, pequena cidade do norte da Califórnia que foi arrasada há 12 meses pelo pior incêndio da história nesta região dos Estados Unidos.

Oitenta e seis pessoas morreram vítimas das chamas e 19 mil imóveis, incluindo 14 mil casas, foram destruídos pelo fogo, que em 8 de novembro de 2018 acabou com 90% da cidade.

Dos 26 mil moradores de Paradise antes do incêndio, hoje restam 4 mil. As pessoas que decidiram retornar vivem nas poucas estruturas que ficaram de pé ou em trailers estacionados em lotes livres de escombros.

"As pessoas que estão voltando, que estão reconstruindo, não se veem como vítimas, nem mesmo como sobreviventes, mas como pioneiras", disse Jones, antes de uma reunião comunitária sobre as obras na cidade.

O processo de recuperação não é fácil. Antes de reconstruir era necessário eliminar escombros tóxicos e resolver o problema da contaminação química do abastecimento de água.

Apesar das dificuldades, Jones informa que as autoridades locais aprovaram 280 licenças de construção e estão revisando outras 100.

"Isto não vai acontecer da noite para o dia", explica. "Se tivermos a sorte de emitir 500 licenças de construção a cada ano, levará de cinco a 10 anos".

"Acredito que seremos uma pequena cidade agradável com cerca de 5 mil pessoas em um ano e meio. E continuaremos crescendo", afirma otimista.

Mas é improvável que a cidade volte a se parecer com a comunidade pitoresca entre as montanhas que atraiu aposentados por sua acessibilidade.

"Não vai ser a mesma coisa", admite Jones. "Para muitos idosos, o processo de reconstrução é árduo, então muitos deles optaram por não voltar".

"Tudo será novo, então eu acredito que será atrativo para famílias jovens e pessoas que buscam um lugar acessível para morar".

100 mil árvores cortadas  

Jones, que perdeu sua casa no incêndio, enfatizou que para impedir a repetição da calamidade de 2018, a cidade aprovou normas rígidas, como a proibição de cercas de madeira que prosseguem até a casa, a instalação de calhas resistentes ao fogo e o aterramento das linhas de energia elétrica.

A cidade também trabalha para melhorar o serviço de notificação de emergências e para ampliar as rotas de evacuação.

As equipes também trabalham sem descanso para reduzir a vegetação altamente inflamável, que ajudou a alimentar o incêndio do ano passado, que atingiu 62 mil hectares.

"Já cortamos 100 mil árvores ", disse Jones. "Ainda temos muitas árvores queimadas, estimamos cerca de 300 mil árvores mortas que ainda precisam sair".

"Não será o mesmo tipo de floresta que era antes", completou.

"Temos um plano de recuperação de longo prazo que cobre tudo isto", destacou a prefeita.

Ao ser questionada sobre o que falta na cidade para que os 4 mil residentes que retornaram possam sentir Paradise como seu lar, Jones respondeu: "Acho que todos diriam que gostariam de ver mais restaurantes abertos. E isso está acontecendo, acabamos de ver a abertura de um novo na semana passada".

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