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Correio Braziliense

Confrontos na boliviana Cochabamba deixam 20 feridos

Opositores seguem com protestos por toda a Bolívia por novas eleições presidenciais; manifestantes fecharam repartições públicas e bloqueiam estradas


postado em 06/11/2019 20:59

Opositores também pedem a renúncia de Evo Morales(foto: JORGE BERNAL/AFP)
Opositores também pedem a renúncia de Evo Morales (foto: JORGE BERNAL/AFP)
Ao menos 20 pessoas ficaram feridas em confrontos nesta quarta-feira entre governistas e opositores na cidade de Cochabamba, no centro da Bolívia, em meio aos protestos contra a questionada reeleição do presidente Evo Morales, informou a Defensoria do Povo.

"Temos 20 pessoas feridas, muitas gravemente", disse a defensora Nadia Cruz, acrescentando que a violência na cidade "atingiu um dos picos mais altos".

Os dois grupos se enfrentaram com paus, pedras e rojões, e alguns estudantes utilizaram uma espécie de bazuca artesanal. 

O canal de TV Unitel mostrou estudantes com escudos de metal para se proteger dos objetos lançados.

Em meio aos confrontos, a sede da prefeitura da vizinha cidade de Vinto, controlada pelo governista  MAS, foi incendiada.

A prefeita de Vinto, Patricia Arce, foi humilhada publicamente pela multidão por transportar camponeses pró-Morales para confrontar os manifestantes.

Arce teve o cabelo cortado, foi pintada de rosa e obrigada a andar descalça por vários quarteirões em meios aos gritos de "assassina! assassina!". A prefeita foi resgatada pela polícia horas depois.

No início da manhã, sindicatos de camponeses iniciaram uma marcha para restabelecer o tráfego em estradas bloqueadas há dias em Cochabamba por manifestantes opositores

"Evo, amigo, o povo está contigo", gritavam os manifestantes pró-Morales quando foram confrontados por universitários opositores na Praça Bush e em outras zonas de Cochabamba.

Também ocorreram protestos nesta quarta-feira nas cidades de Santa Cruz (leste), Sucre (sudeste), Tarija (sul) e Potosí (oeste) contra a polêmica reeleição de Morales, no poder desde 2006.

Em quase todas estas cidades os opositores fecharam as repartições públicas e os escritórios das empresas estatais, como a Entel (telecomunicações), a YPFB (petroleira) e a BOA (aérea).

Os opositores exigem a realização de novas eleições e a renúncia de Evo Morales e de todas as autoridades eleitorais.

A Agência Nacional de Hidrocarbonetos advertiu para um possível desabastecimento de gasolina caso persistam os bloqueios de estrada.

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