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Correio Braziliense

Violentos protestos entram em sua terceira semana no Iraque

Na última semana, o acesso ao porto foi cortado, onde boa parte das importações de alimentos e medicamentos entra no país


postado em 08/11/2019 10:56 / atualizado em 08/11/2019 11:12

Em Bagdá, seis pessoas morreram quinta-feira em confrontos com a polícia(foto: Ahmad Al-Rubaye / AFP)
Em Bagdá, seis pessoas morreram quinta-feira em confrontos com a polícia (foto: Ahmad Al-Rubaye / AFP)
Os protestos antigovernamentais no Iraque entraram nesta sexta-feira em sua terceira semana, com 13 manifestantes mortos em Bagdá e no porto de Basra nas últimas 24 horas, segundo fontes médicas. 

Desde o início de 1º de outubro, do movimento de protesto, já deixou cerca de 300 pessoas  - a maioria manifestantes - mortas nas violentas mobilizações.
 
Em Basra, sete manifestantes foram mortos em confrontos com forças de segurança na quinta e sexta-feira. 

Na última semana, o acesso ao porto foi cortado, onde boa parte das importações de alimentos e medicamentos entra no país. 

Em Bagdá, seis pessoas morreram quinta-feira (7/11) em confrontos com a polícia. 

Apesar da violência, milhares de pessoas tentavam se reunir nesta sexta na Praça Tahrir ("Libertação") em Bagdá, incluindo líderes tribais influentes no país.

"Sacrificamos o sangue dos filhos de nossas tribos. Não vamos parar até que o governo renuncie", disse um deles, oriundo de Nasiriyah.

Durante a manhã, foram ouvidas explosões causadas por tentativas das forças de segurança de afastar manifestantes que tentavam ocupar as quatro pontes sobre o rio Tigre. 

As pontes se tornaram uma frente de batalha em Bagdá, porque através delas os manifestantes tentam chegar à sede e escritórios do governo, localizados na costa oeste. 

Por outro lado, as organizações de direitos humanos emitiram alertas sobre as prisões e intimidações de ativistas e médicos por forças de segurança não identificadas. 

Na província de Missan, dois ativistas foram mortos na quarta-feira por agressores desconhecidos, segundo as forças de segurança. 

Na primeira onda de protestos, de 1o. a 6 de outubro, 157 pessoas morreram, a maioria delas manifestantes em Bagdá, por disparos de atiradores que o Estado disse que não conseguia identificar. 

As manifestações são alimentadas pela revolta contra a corrupção da classe política e pela falta de trabalho. 

Os populares mobilizados também querem a renúncia uma renovação total do sistema político implementado desde a queda do ditador Saddam Hussein em 2003. 

O Iraque, um país rico em petróleo, é o segundo maior produtor da OPEP. 

Seus habitantes, sufocados pelo desemprego, que afeta 25% da população jovem, e a pobreza exigem sua "parcela de petróleo". 

A Transparência Internacional coloca o Iraque em 12º lugar entre os países mais corruptos do mundo. 

Em meio à mais grave crise social que o Iraque enfrenta em mais de quinze anos, o primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi perde força e espaço para manobrar todos os dias devido aos protestos. 

No entanto, quando as mobilizações entram em sua terceira semana, os líderes políticos parecem ter concordado em permanecer à frente do executivo. 

Moqtada Sadr, o clérigo ligado ao Irã e que exigiu a renúncia do governo, agora está em silêncio. 

E, em uma aparente imagem de normalidade, a televisão estatal divulgou a mensagem gravada que Abdel Mahdi dirigiu ao seu gabinete por ocasião do debate sobre o orçamento de 2020.

Nessa mensagem, ele propôs medidas para apaziguar os manifestantes, incluindo a contratação de mais funcionários públicos e a promoção de projetos de infraestrutura. 

Nesta sexta-feira, o clérigo xiita mais importante do país, o aiatolá Ali Sistani, disse que "não se pode esperar mais" e que "as forças políticas devem responder às demandas dos cidadãos", segundo um sermão lido por um representante.

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