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Correio Braziliense

Jeanine Añez reivindicou o direito de assumir a presidência da Bolívia

Neste cenário, a segunda vice-presidente do Senado, a opositora Jeanine Añez, reivindicou o direito de assumir a presidência da Bolívia


postado em 11/11/2019 08:36 / atualizado em 11/11/2019 09:59

A opositora Jeanine Áñez, segunda vice-presidente do Senado, anunciou que assumirá a Presidência da Bolívia(foto: Divulgação)
A opositora Jeanine Áñez, segunda vice-presidente do Senado, anunciou que assumirá a Presidência da Bolívia (foto: Divulgação)
A renúncia de Evo Morales, após três semanas de protestos contra sua reeleição e depois de perder o apoio das Forças Armadas, deixa um vácuo de poder na Bolívia, onde no momento ninguém sabe quem comanda o país.

A Constituição prevê que a sucessão começa com o vice-presidente, depois passa para o titular do Senado e depois para o presidente da Câmara dos Deputados, mas todos eles renunciaram com Morales.

As renúncias do vice-presidente Álvaro García, da presidente e do vice-presidente do Senado, Adriana Salvatierra e Rubén Medinacelli, e do titular da Câmara dos Deputados, Víctor Borda, criaram portanto uma situação de incerteza e vazio sobre a cadeia de sucessão constitucional. 

Neste cenário, a segunda vice-presidente do Senado, a opositora Jeanine Añez, reivindicou o direito de assumir a presidência da Bolívia.

"Ocupo a segunda vice-presidência e na ordem constitucional me corresponderia assumir este desafio com o único objetivo de convocar novas eleições", afirmou Añez em uma entrevista ao canal Unitel.

Morales renunciou no domingo (10/11), pressionado por militares, policiais e pela oposição, que exigiram que deixasse o cargo que ocupava desde 2006 com o objetivo de pacificar o país.

"Renuncio a meu cargo de presidente para que (Carlos) Mesa e (Luis Fernando) Camacho não continuem perseguindo dirigentes sociais", disse Morales em Cochabamba, em discurso exibido pela TV, em referência aos líderes opositores que o acusaram de fraude nas eleições de 20 de outubro.

A saída de Morales do poder provocou muitas comemorações, mas também violência em La Paz e outros pontos do país.

Morales denunciou a existência de uma ordem de prisão "ilegal" contra ele, uma afirmação negada pelo chefe de polícia, o general Yuri Vladimir Calderón. 

O ex-presidente, que viajou para algum ponto da região cocaleira de Chapare, seu berço político, no departamento de Cochabamba (centro), também afirmou que "grupos violentos" atacaram sua residência.

Não está claro qual será o destino de Morales. Ele afirmou que não abandonaria a Bolívia, mas o México ofereceu asilo, anunciou o chanceler Marcelo Ebrard, que falou em "20 personalidades do Executivo e do Legislativo da Bolívia" refugiadas na embaixada mexicana na capital boliviana.

No domingo à noite, a praça Murillo de La Paz, onde fica o Palácio Quemado, antiga sede do governo, foi tomada por bolivianos dispostos a celebrar a renúncia de Morales, que governou a Bolívia por quase 14 anos, um recorde nacional de permanência no poder.

"Este sonso, que não sabe pensar, saiu pela janela. Que bom, estamos felizes", disse à AFP a comerciante Reggina Sojas, de 61 anos.

Durante a noite foram registrados atos violentos em La Paz e na cidade vizinha de El Alto, protagonizados por pessoas que pareciam seguidores de Morales, que provocaram incêndios em ônibus municipais e saques nas casas de um líder cívico e de uma jornalista, de acordo com denúncias dos afetados

Morales, primeiro presidente indígena da Bolívia, forjado politicamente como sindicalista cocaleiro, saiu do governo defendendo seu legado que, em suas palavras, representou progresso econômico e social para uma das três nações mais pobres da América Latina.

"Estamos deixando a Bolívia com muitas conquistas sociais", afirmou na mensagem de renúncia o agora ex-presidente, de 60 anos. 

Detenções no Tribunal Eleitoral  

Os resultados de uma auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA) divulgados no domingo, que apontavam "sérias irregularidades" nas eleições, desencadearam os acontecimentos que levaram à renúncia de Morales.

Durante a manhã, ao tomar conhecimento do relatório, o agora ex-presidente anunciou novas eleições, mas a notícia não foi suficiente para conter a ira da oposição. 

Morales enfrentou durante o domingo uma avalanche de renúncias de altos funcionários, em alguns casos depois de terem tido suas casas incendiadas, e a pressão decisiva dos militares e da polícia, que pediram sua renúncia. 

"Pedimos ao presidente de Estado que renuncie a seu mandato presidencial e permita a pacificação e a manutenção da estabilidade, pelo bem de nossa Bolívia", disse o comandante em chefe das Forças Armadas, o general Williams Kaliman.

Após a renúncia de Morales, a polícia prendeu a presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), María Eugenia Choque, e outros funcionários do organismo por ordem do Ministério Público, que investiga irregularidades cometidas nas eleições.

Cuba e Venezuela denunciam "golpe" 

Os principais aliados ideológicos de Morales na América Latina, Cuba, Venezuela e Nicarágua, denunciaram o que consideram ter sido um "golpe de Estado". A mesma crítica foi feita pelo presidente eleito argentino, Alberto Fernández, e pelo ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

"Condenamos categoricamente o golpe de Estado consumado contra o irmão presidente @evoespueblo", escreveu no Twitter o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. 

A embaixada da Venezuela em La Paz foi tomada durante a noite por homens encapuzados, anunciou a diplomata Crisbeylee González.

Paralelamente, países como Colômbia e Peru pediram uma transição pacífica e novas eleições.

Nesta segunda-feira (11/11), o governo da Rússia, aliado de Morales, afirmou que as ações violentas da oposição forçaram a saída do ex-presidente, enquanto a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini e o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediram moderação e novas eleições.

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