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Correio Braziliense

Morales acusa OEA de fazer parte do golpe de Estado na Bolívia

Evo Morales renunciou à presidência que ocupava desde 2006, depois de perder o apoio das Forças Armadas e da Polícia


postado em 13/11/2019 11:16

Morales renunciou em meio a forte pressão nas ruas(foto: Pedro Pardo / AFP)
Morales renunciou em meio a forte pressão nas ruas (foto: Pedro Pardo / AFP)
O líder indígena Evo Morales disse nesta quarta-feira (13/11) que a OEA aderiu ao "golpe de Estado" que ele o forçou a deixar o poder na Bolívia

Em entrevista à W Radio Colombia, da Cidade do México, onde se asilou na terça-feira (12/11), Morales descreveu a Organização dos Estados Americanos (OEA) como "neogolpista", depois que denunciou sérias irregularidades nas eleições de 20 de outubro que desencadearam a crise boliviana. 

"Infelizmente, a OEA aderiu a esse golpe de Estado. Eu recomendo aos novos políticos da América Latina: cuidado com a OEA. A OEA é neogolpista para mim", afirmou o líder da esquerda. 

No domingo (10/11), Morales, 60, renunciou à presidência que ocupava desde 2006, depois de perder o apoio das Forças Armadas e da Polícia

Pouco antes, ele havia convocado novas eleições presidenciais após a denúncia da OEA e os protestos da oposição, que acusavam o então governante de obter um novo mandato através de fraude eleitoral. 

Morales questionou a proclamação da senadora de direita Jeanine Añez como presidente interina na Bolívia, insistindo que a saída da crise deve ser constitucional. 

"A única saída é respeitar nossa Constituição, recuperar a democracia; a única saída é respeitar o povo e principalmente os movimentos sociais", acrescentou. 

Nesse sentido, ele pediu às forças de segurança que não "disparem uma bala".

"Equipei as Forças Armadas não contra o povo, não para que sejam contra o povo, mas para que defendam a pátria. Lamento muito que as Forças Armadas estejam agora do lado de um golpe de Estado", afirmou. 

A Bolívia mergulhou no vácuo de poder desde domingo, quando Morales renunciou em meio a forte pressão nas ruas, forças de segurança e sindicatos, e às vezes violentos protestos após a votação de 20 de outubro. 

Segundo o Ministério Público da Bolívia, desde então sete pessoas morreram, quatro delas baleadas.

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