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Correio Braziliense

Praça San Marco, em Veneza, é fechada após nova inundação

A previsão é que a água alcance um nível muito perigoso depois de três dias de inundações


postado em 15/11/2019 11:40 / atualizado em 15/11/2019 15:17

(foto: Marco Bertorello/AFP)
(foto: Marco Bertorello/AFP)
Veneza, Itália — Veneza viveu um dia inquietante nesta sexta-feira com a onda de mau tempo em toda a região e o temor de marés altas que obrigaram as autoridades a fechar a praça São Marcos - devastada pela inundação excepcional há três dias. 

 

"Me vejo forçado a fechar a praça São Marcos para proteger os cidadãos de riscos sanitários. Um desastre", anunciou o prefeito Luigi Brugnaro, que autorizou o trânsito após várias horas. 

 

Se previa que a maré alta ia alcançar o nível perigoso de 160 centímetros, três dias depois das inundações que provocaram danos materiais à cidade e que obrigaram o governo a declarar estado de emergência. 

 

Segundo o centro de monitoramento, por volta de 11h20 locais foi registrado um pico de 154 centímetros, mais alto que o calculado, mas mais baixo que os 160 centímetros temidos de manhã, que fizeram as sirenes de alarme da cidade serem atividades. 

 

As sirenes começaram a soar por volta de 6h50, com o céu escuro e pesado e um forte vento - que, com o passar das horas, se acalmou. A maré começou a baixar no meio da tarde, segundo informaram unidades de controle em mar aberto e o serviço de transporte público - os famosos vaporetti - foi retomado. 

 

Museus e escolas fechados

Pelo quarto dia consecutivo, as escolas e universidades permaneceram fechadas, assim como importantes museus e instituições culturais, entre eles o Guggenheim e o Teatro La Fenice. Na noite de terça, a cidade, joia da arquitetura bizantina, registrou sua pior maré alta em 53 anos. 

 

A água inundou igrejas, lojas, museus e hotéis, causando inestimáveis danos ao patrimônio artístico e imobiliário. Os 50 milhabitantes do centro histórico temem agora que o fenômeno da "acqua alta" se torne mais frequente, já que aumentou nos últimos anos devido às mudanças climáticas e ao aquecimento do mar Adrático, segundo especialistas.

 

Há três dias, chegou ao nível de 187 centímetros, o segundo recorde histórico, após o registrado em 4 de novembro de 1966 (194 centímetros), deixando 80% da cidade coberta pela água. Os prejuízos chegam a "centenas de milhões de euros" e o governo autorizou o uso de um fundo imediato de 20 milhões de euros para reativar os serviços essenciais e indenizar a população.

 

"Esse primeiro fundo é apenas para as necessidades urgentes. Vamos pedir uma lei especial com cifras muito altas porque Veneza precisa fazer muito, mas muito mais", comentou o ministro da Cultura, Dario Franceschini. "Mais de 50 igrejas sofreram danos e foram inundadas. A situação é mais grave do que se vê na televisão", admitiu. 

 

Uma onda de solidariedade tomou conta da península italiana, com doações e contribuições para ajudar os residentes e proprietários de atividades comerciais a recuperar boa parte de seus bens perdidos. A Prefeitura abriu uma conta corrente para todos os que quiserem contribuir com a recuperação de uma das cidades mais belas do Velho Continente, declarada patrimônio da Humanidade. 

 

"Acho que vale a pena salvar esta cidade, estou segura de que vai ser preciso ajuda e que custará muito dinheiro. Acho que os turistas estrangeiros devemos contribuir para ajudar Veneza a suportar este custo", disse à AFP-TV a turista colombiana Diana Ramírez. 

 

Falta pão nos restaurantes entre Rialto e San Marco, e a padaria de Emilio Colussi, fundada em 1840, ficou submersa. Sete de cada dez lojas estão fechadas, entre elas o célebre Caffè Florian, em plena praça São Marcos e o American Bar, a poucos passos.  Segundo o jornal La Stampa, 3 milhões de euros são perdidos diariamente. 

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