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Veneza em alerta para maré recorde

Uma das principais atrações turísticas do país sofre com as chuvas e a alta das águas do Mar Adriático. Governo libera fundo de emergência para enfrentar prejuízos

Veneza seguia ontem em estado de alerta para as chuvas e marés altas que obrigaram as autoridades a fechar por algumas horas a praça São Marcos, para incômodo dos moradores e dos turistas que visitam a cidade, uma das principais atrações da Itália. ;Vejo-me forçado a fechar a praça para proteger os cidadãos de riscos sanitários;, anunciou o prefeito Luigi Brugnaro, no meio da tarde. ;É um desastre;, resignou-se.

Não eram registrados picos consecutivos tão elevados de marés altas desde 1782, o que levou as sirenes a continuar tocando três dias depois das inundações que provocaram danos materiais à cidade e obrigaram o governo a declarar estado de emergência. Segundo o centro de monitoramento, por volta de 11h20 (hora local) foi registrado um pico de 154cm, mais alto que o calculado, mas abaixo dos 160cm projetados de manhã pelo serviço de meteorologia.

As sirenes começaram a soar por volta das 6h50, com o céu escuro e pesado e um forte vento. A maré começou a baixar no meio da tarde, segundo informaram unidades de controle em mar aberto, e foi retomado o serviço de transporte público ; os famosos vaporetti, que percorrem os canais da cidade. Contudo, as autoridades declararam alerta vermelho em toda a região, em resposta às chuvas intensas. A previsão era de maré alta também para hoje.

Pelo quarto dia consecutivo, escolas e universidades permaneceram fechadas, assim como importantes museus e instituições culturais, entre eles o Guggenheim e o Teatro La Fenice. Na noite de terça-feira, a cidade, joia da arquitetura bizantina, registrou a pior maré alta em 53 anos. A água inundou igrejas, lojas, museus e hotéis, causando inestimáveis danos ao patrimônio artístico e imobiliário.

Os 50 mil habitantes do centro histórico temem que o fenômeno da acqua alta se torne mais frequente, como vem sendo nos últimos anos, devido às mudanças climáticas e ao aquecimento do Mar Adriático. Há três dias, a maré chegou ao nível de 187cm, o segundo recorde histórico, após os 194cm de 4 de novembro de 1966, que deixou 80% da cidade debaixo da água.

Os prejuízos somam centenas de milhões de euros e o governo autorizou o uso imediato de 20 milhões de euros para reativar os serviços essenciais e indenizar a população. ;Esse primeiro fundo é apenas para as necessidades urgentes. Vamos pedir uma lei especial com cifras mais altas;, comentou o ministro da Cultura, Dario Franceschini. ;Mais de 50 igrejas sofreram danos e foram inundadas. A situação é mais grave do que se vê na tevê;, admitiu.

Uma onda de solidariedade em toda a Itália resultou em doações e contribuições para ajudar Veneza a recuperar as perdas. Centenas de jovens se mobilizaram pelas redes sociais para protestar contra a mudança climática, mas também para recuperar livros, mosaicos e partituras antigas de bibliotecas, conservatórios e templos.