Publicidade

Correio Braziliense

Huawei anuncia segunda ação judicial contra a administração de Donald Trump

Em plena guerra comercial, tecnológica e diplomática entre Pequim e Washington, a Huawei denunciou uma decisão "ilegal" por parte da administração Trump


postado em 05/12/2019 08:37 / atualizado em 05/12/2019 08:37

Huawei anunciou, a segunda ação judicial contra a administração americana(foto: Nicholas Kamm / AFP)
Huawei anunciou, a segunda ação judicial contra a administração americana (foto: Nicholas Kamm / AFP)
A Huawei anunciou nesta quinta-feira (5/12) a segunda ação judicial contra a administração americana, que excluiu a empresa chinesa de telecomunicações de um fundo federal destinado ao desenvolvimento de infraestruturas em áreas rurais, alegando supostas razões de segurança nacional.

Em plena guerra comercial, tecnológica e diplomática entre Pequim e Washington, a Huawei denunciou uma decisão "ilegal" por parte da administração Trump, que considera a empresa líder mundial de equipamentos 5G um 'cavalo de Troia' do regime chinês. 

"A Huawei é uma empresa chinesa. Esta é a única desculpa de Washington para perseguir o grupo", denunciou o diretor do departamento jurídico do grupo, Song Liuping.

Em uma entrevista coletiva na sede do grupo em Shenzhen, sul da China, Song anunciou a apresentação de uma denúncia nos Estados Unidos contra a decisão do governo americano de afastar a Huawei de um fundo federal para o desenvolvimento de infraestruturas de telecomunicações em zonas rurais.

Washington suspeita que tanto a Huawei como a ZTE, outra empresa chinesa, poderiam espionar para Pequim, o que motivou a exclusão dos dois grupos, mês passado, de um fundo de 8,5 bilhões de dólares administrado pela Comissão Federal de Comunicações (FCC). 

Alegando uma "ameaça para a segurança nacional", a FCC proibiu que as operadoras de telecomunicações americanas recorram ao Fundo de Serviço Universal (USF) para financiar equipamentos das duas empresas chinesas. 

Também apresentou uma proposta para "exigir das empresas que recebam recursos do USF que retirem e substituam os equipamentos e serviços" prestados pela Huawei e ZTE. 

O presidente da FCC, Ajit Pai, justificou a decisão apontando que Huawei e ZTE "têm vínculos estreitos com o governo comunista e o aparato militar chinês". 

A Huawei, segunda maior empresa mundial de telefonia móvel, está no centro da batalha tecnológica entre China e Estados Unidos. Especialmente porque o grupo, fundado por um ex-engenheiro do exército chinês, Ren Zhengfei, é considerado um ator inevitável no fornecimento de equipamentos de tecnologia 5G, a quinta geração da internet móvel. 

Para Song, a decisão da FCC não estabeleceu que a empresa chinesa constitui uma ameaça para a segurança dos Estados Unidos.

"Vetar uma empresa como a Huawei não resolve as questões de cibersegurança", declarou. 

A Huawei apresentou uma denúncia em março nos Estados Unidos contra a lei de finanças do Departamento de Defesa americano, que proíbe que as administrações públicas comprem equipamentos ou contratem serviços da empresa chinesa. 

O Departamento do Comércio incluiu em maio a Huawei e suas filiais em uma lista de grupos proibidos de fazer negócios com empresas americanas. 

A medida foi um duro golpe para a Huawei, que depende de tecnologia americana para seus smartphones, sobretudo o sistema operacional Android, do Google.

Mas também foi um golpe para as empresas americanas, que têm na Huawei um cliente importante, e para as operadoras que contam com os equipamentos do grupo para desenvolver o 5G.

Por este motivo, o governo Trump indicou no mês passado que começou a aprovar, em alguns casos, que algumas empresas americanas possam vender componentes para a Huawei, desde que exportem produtos que não colocam em risco a segurança nacional.

A ZTE ficou perto da falência no ano passado, depois que algumas empresas americanas foram proibidas de fazer negócios com a empresa por causa de suas relações com o Irã e a Coreia do Norte. O grupo ficou sem acesso a componentes vitais para sua produção. Mais tarde, porém, Donald Trump recuou e permitiu que a ZTE retomasse as importações, mas sob condições estritas.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade