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Correio Braziliense

Israel: Parlamento aprova a convocação de novas eleições

O primeiro-ministro, que soma 13 anos no poder, foi indiciado no final de novembro por corrupção, quebra de confiança e negligência em uma série de casos


postado em 11/12/2019 09:36 / atualizado em 11/12/2019 09:36

O projeto de lei, que deve passar por duas votações durante o dia, antecipará a dissolução do Parlamento(foto: Ronen Zvulun / POOL / AFP)
O projeto de lei, que deve passar por duas votações durante o dia, antecipará a dissolução do Parlamento (foto: Ronen Zvulun / POOL / AFP)
Os deputados israelenses aprovaram nesta quarta-feira (11/12) em primeira votação um projeto de lei para a celebração de novas eleições, as terceiras em menos de um ano, no dia 2 de março.

O projeto de lei, que deve passar por duas votações durante o dia, antecipará a dissolução do Parlamento, que aconteceria à meia-noite de quarta-feira, prazo final para que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ou seu rival Benny Gantz consigam formar uma maioria que permita governar e evitar novas eleições.

Esta manhã, um comitê parlamentar propôs apressar as coisas e reunir os deputados para votar diretamente a dissolução do Knesset, Parlamento, para convocar novas eleições em 2 de março, pouco antes do feriado judaico do Purim.

Para evitar tal cenário, Netanyahu e Gantz devem chegar a um acordo, algo muito improvável. Problemas judiciais estão no centro da disputa. O primeiro-ministro, que soma 13 anos no poder, foi indiciado no final de novembro por corrupção, quebra de confiança e negligência em uma série de casos.

Algumas pessoas do seu círculo, inclusive seu advogado, também devem ser indiciadas por lavagem de dinheiro, pela compra de submarinos da empresa alemã ThyssenKrupp.

Netanyahu deseja liderar um eventual governo de unidade, na esperança, entre outros, de obter imunidade judicial, o que Gantz se recusa, estimando que seu rival deve resolver seus problemas com a Lei antes de assumir o cargo de primeiro-ministro.

Entre os dois rivais, está o nacionalista Avigdor Lieberman, líder da formação Israel Beitenou, o único que não está alinhado e cujo apoio a Netanyahu ou Gantz pode ser suficientes para uma maioria e, assim, evitar novas eleições.

"Um valor fundamental para mim é a amizade. Que é totalmente estranha para vocês", disse Lieberman a Netanyahu, de quem já foi próximo.

Apesar dessa crítica, Lieberman não conseguiu seu trunfo nos últimos meses, levando Israel a novas eleições, para desgosto de parte da população e de alguns meios de comunicação que já ironizam a data da... quarta eleição.

No caso de uma nova votação, as últimas pesquisas, divulgadas esta semana pelo canal Kan, colocam o Likud de Netanyahu e a formação de Kahol Lavan ("Azul-Branco", as cores da bandeira) de Gantz empatados.

Diante de uma contestação em seu próprio campo, liderada pelo deputado Gideon Saar, Benjamin Netanyahu abriu as portas para primárias para nomear o líder do Likud, garantindo ao mesmo tempo que vencerá a votação interna.

Netanyahu já enfatizou a importância, segundo ele, de avançar com seu plano de anexar uma parte estratégica da Cisjordânia ocupada e de assinar um tratado de defesa conjunto com os Estados Unidos.

Netanyahu eé próximo do presidente americano Donald Trump, que reconheceu a soberania israelense sobre as Colinas de Golã, reconheceu Jerusalém como a capital de Israel e recentemente determinou que os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada não eram contrários ao direito internacional. 

Daí a declaração do primeiro-ministro de Israel de que ele é o único, graças a suas relações com o governo Trump,  capaz de avançar nessas questões delicadas.

Por sua vez, o partido de Benny Gantz endossou de alguma forma a futura candidatura do ex-militar ao cargo de primeiro-ministro. O estatuto interno do movimento prevê uma alternância com seu parceiro Yair Lapid nas eleições. Mas Lapid disse na segunda-feira que deixaria tudo para Gantz neste remake por vir. 

"O importante não é a rotação, nem o cerco, mas a guerra de libertação, para libertar o país da corrupção", disse ele.

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