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Correio Braziliense

Sindicatos franceses mantêm greve e negam ''trégua de Natal''

O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, anunciou na quarta-feira (11/12) o projeto integral de reforma da Previdência, que pretende unificar os 42 regimes diferentes do país em um sistema único


postado em 12/12/2019 08:50

As concessões, no entanto, não foram consideradas suficientes pelos sindicatos, que desejam intensificar a greve(foto: Loic Venance / AFP)
As concessões, no entanto, não foram consideradas suficientes pelos sindicatos, que desejam intensificar a greve (foto: Loic Venance / AFP)
A França entrou nesta quinta-feira (12/12) no oitavo dia de greve contra a reforma da Previdência anunciada pelo governo do presidente Emmanuel Macron e os sindicatos pediram a ampliação do movimento, ao mesmo tempo que negaram a possibilidade de uma "trégua de Natal".

"A greve continua e lamentamos porque não havíamos previsto desta maneira. Percebemos que o governo não dá o braço a torcer e isto vai durar algum tempo. Não haverá trégua de Natal, exceto se o governo encontrar a razão", afirmou o secretário-geral do sindicato CGT (trabalhadores ferroviários), Laurent Brun, à rádio France Info.

O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, anunciou na quarta-feira (11/12) o projeto integral de reforma da Previdência, que pretende unificar os 42 regimes diferentes do país em um sistema único. O chefe de Governo afirmou que com a mudança "todo mundo sairá ganhando". 

O governo mantém o plano, uma das promessas eleitorais de Macron, mas aceitou flexibilizar alguns pontos após os protestos da última semana.

As concessões, no entanto, não foram consideradas suficientes pelos sindicatos, que desejam intensificar a greve.
 
"Minha porta está aberta, minha mão está estendida", declarou Philippe. Ele afirmou que os anúncios do governo eram suficientes para acabar com a paralisação no país.

Mas os sindicatos consideraram que o governo "ultrapassou uma linha vermelha" com os anúncios sobre a aposentadoria, um tema muito delicado na França, sobretudo para alguns setores, como os trabalhadores do sistema de transportes e algumas profissões de risco.

O governo quer evitar a qualquer custo uma nova crise social, após a mobilização dos "coletes amarelos", o movimento de protesto que surgiu há um ano e provocou uma forte queda de seu nível de popularidade. 


Na manhã desta quinta-feira, em cidades como Paris a grande maioria dos transportes públicos não funcionavam e os poucos que circulavam estavam lotados. 

O centro da capital estava em colapso com o grande número de veículos particulares e centenas de cidadãos tentavam chegar aos locais de trabalho a pé ou de bicicleta.

Em Paris, assim como em outras grandes cidades do país, como Marselha, passeatas estão programadas para esta quinta-feira e um novo dia de mobilização nacional foi convocado para 17 de dezembro, o terceiro em menos de duas semanas.

O porto de Le Havre (noroeste), o segundo maior da França, amanheceu bloqueado por quase mil manifestantes, segundo a polícia. "Bloqueamos os oito pontos principais (de entrada). Vamos continuar aqui o dia todo", disse Sandrine Gérard, do sindicato CGT.

Uma das questões que mais enfurece os trabalhadores é o aumento para 64 anos da idade mínima para obter a aposentadoria integral. Atualmente, a idade legal mínima de aposentadoria é 62 anos e continuará sendo, mas com direito a uma pensão menor.

O governo contempla apresentar o projeto de lei sobre a reforma no conselho de ministros de 22 de janeiro, antes de enviar o texto ao Parlamento no fim de fevereiro.

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