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Correio Braziliense

Israel inicia a terceira campanha eleitoral em menos de um ano

"Vergonha" foi o termo usado para as eleições, pela imprensa israelense


postado em 12/12/2019 16:10

(foto: Jack GUEZ / AFP)
(foto: Jack GUEZ / AFP)
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e seu rival, Benny Gantz, iniciaram nesta quinta-feira (12) sua terceira campanha eleitoral em menos de um ano com o objetivo de tirar o país do impasse político em que se encontra.

Os israelenses acordaram nesta quinta com um novo ciclo eleitoral, e a imprensa local não poupou críticas aos protagonistas dessa crise política.

"Vergonha", foi a manchete do jornal "Yediot Aharonoth". Na capa, o jornal "Israel Hayom" afirmou que a situação política é um "circo".

Como se estivessem presos no tempo, Netanyahu e seu adversário Benny Gantz, parelhos nas eleições de abril e setembro, voltarão a se enfrentar diante da ausência de um acordo.

O prazo para a formação do novo governo expirou à meia-noite de quarta-feira, às 23h59 local, e os parlamentares israelenses definiram as modalidades do projeto de lei que prevê eleições no dia 2 de março.

Nesta quinta, os advogados de Netanyahu, indiciado por corrupção, anunciaram que ele deixará seus cargos ministeriais, mas continuará como chefe de Governo.

A Suprema Corte de Israel recebeu uma petição do "Movimento por um Governo de Qualidade" apelando a Netanyahu - primeiro-ministro, ministro da Agricultura, da Diáspora e da Saúde - que renuncie aos deveres ministeriais em vista de seu indiciamento.

No mês passado, o procurador-geral Avichaï Mandelblit anunciou a acusação de Netanyahu por "corrupção", "malversação" e "quebra de confiança" em três casos diferentes. A lei israelense estipula que qualquer ministro processado criminalmente deve renunciar, mas essa regra não se aplica ao primeiro-ministro.

Depois de receber a petição, Mandelblit disse que, embora Netanyahu não possa ser forçado a renunciar ao cargo de primeiro-ministro, a questão de suas outras funções ministeriais seria discutida em breve.

Em uma carta enviada nesta quinta à Suprema Corte e consultada pela AFP, os advogados de Netanyahu afirmaram que ele "deixaria de ser ministro em 1º de janeiro de 2020 e nomearia outros ministros".

"O primeiro-ministro continuará sendo primeiro-ministro, de acordo com a lei", acrescentaram Avi Halevy e Michael Rabello.

O "Movimento por um Governo de Qualidade" considerou que a intenção de Netanyahu de devolver essas três pastas "não é suficiente" e que o fato de ele permanecer em seu cargo de primeiro-ministro é "uma vergonha terrível para Israel".

"Netanyahu deve lutar para (provar) sua inocência como pessoa privada, e não como primeiro-ministro", criticou a ONG em um comunicado.

Netanyahu alega inocência e afirma ser vítima de uma "caça às bruxas" pelo Ministério Público e pela mídia.

Ele ainda não anunciou se buscará imunidade por meio de uma votação no Parlamento, um processo complicado pela natureza transitória do atual Parlamento.

Benjamin Netanyahu e seu rival Benny Gantz falharam sucessivamente em formar um governo após as eleições legislativas de abril e setembro. Assim, uma nova votação foi convocada para 2 de março de 2020.

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