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Correio Braziliense

Comissão da Câmara de Representantes aprova acusações para processar Trump

Diante do domínio republicano no Senado, é pouco provável que Trump seja afastado


postado em 13/12/2019 17:36

(foto: ALEX WONG/ AFP)
(foto: ALEX WONG/ AFP)
A ata de acusação de Donald Trump foi aprovada nesta sexta-feira (13) por uma comissão de maioria democrata do Congresso americano, superando uma etapa decisiva antes de uma votação histórica no processo de impeachment do presidente dos Estados Unidos.

Dois meses e meio após a explosão do "escândalo ucraniano", a Comissão Judiciária da Câmara de Representantes aprovou por 23 votos a favor, e 17 contra, seguindo linhas estritamente partidárias, duas acusações contra o republicano: "abuso de poder" e "obstrução do Congresso".

"Hoje é um dia solene e triste", disse o presidente do comitê, Jerry Nadler, depois das votações, convocadas com surpreendente rapidez após um maratônico debate televisionado no dia anterior e que se estendeu até quase meia-noite.

Agora, a ata segue de volta para a Câmara, que deve votar neste texto em sessão plenária prevista para quarta-feira, de acordo com jornais americanos.

A maioria democrata na Casa faz antecipar que a acusação será aprovada, mas, diante do domínio republicano no Senado, é pouco provável que Trump seja afastado do cargo.

Enquanto na Câmara basta uma maioria simples para aprovação, no Senado é necessária uma maioria de dois terços.

A Casa Branca considerou a aprovação das acusações contra Trump como o "final vergonhoso" de uma "farsa desesperada".

"O presidente espera receber, no Senado, o tratamento justo e o devido processo que a Câmara continua negando, vergonhosamente", disse a secretária de Imprensa de Trump, Stephanie Grisham, em um comunicado.

Trump voltou a chamar o processo contra ele de "caça às bruxas" e "fraude", afirmando, porém, que está sendo beneficiado politicamente.

"As pesquisas estão nas nuvens", disse ele à imprensa, ao receber na Casa Branca seu colega paraguaio, Mario Abdo.

Em entrevista ao canal Fox News na quinta-feira à noite, o senador Mitch McConnell, líder da maioria republicana, garantiu: "Não há nenhuma chance de que o presidente seja destituído".

Depois de dois meses de investigações, os congressistas democratas afirmam que Trump reteve, por interesses eleitorais e pessoais, ajuda militar para a Ucrânia.

Ele também é acusado de oferecer uma visita à Casa Branca ao presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, em troca de Kiev abrir uma investigação contra o ex-vice-presidente Joe Biden. O democrata é um dos principais rivais democratas do republicano para as eleições de 2020.

Os democratas também consideram que Trump cometeu obstrução ao tentar bloquear os esforços do Congresso de investigar as ações do presidente. Os rivais de Trump alegam que se trata de uma violação da Constituição, a qual concede ao Legislativo um mandato de supervisão do Poder Executivo.

Antes de Trump, dois presidentes americanos enfrentaram um julgamento político: Andrew Johnson, em 1868, e Bill Clinton, em 1998. Mergulhado no "Watergate", o republicano Richard Nixon renunciou, em 1974, antes da votação, evitando o impeachment.

Até chegar à votação, a Comissão Judiciária debateu ao longo de mais de 15 horas. Estas discussões expuseram duas visões diametralmente opostas sobre a conduta de Donald Trump, refletindo as fraturas da sociedade americana diante de um presidente atípico.

O impacto destes debates na opinião é incerto. Segundo a média de pesquisas estabelecida pelo site FiveThirtyEight, 47,3% dos americanos apoiam o impeachment de Donald Trump, e 45,9%, contra.

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