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Incêndios deixam 3 mortos e australianos fogem para as praias

Muitos recorreram a barcos e botes salva-vidas para escapar do fogo

Agência Estado
postado em 01/01/2020 07:06

Muitos recorreram a barcos e botes salva-vidas para escapar do fogoImpulsionados por rajadas de vento, um verão escaldante e temperaturas acima de 40;C, as centenas de incêndios florestais na Austrália se intensificaram nesta terça-feira (31/12) e obrigaram milhares de pessoas a fugir para as praias de New South Wales, sudeste do país, para escapar do fogo, que já matou 12 pessoas desde agosto e destruiu mais de 50 mil quilômetros quadrados - uma área maior que o estado do Rio de Janeiro.

Na terça, três pessoas morreram. Pai e filho foram engolidos pelos fogo ao tentar proteger sua casa do incêndio que atingiu a cidade de Cobargo, no Estado de New South Wales, a cerca de 300 quilômetros da capital Camberra. Um bombeiro também morreu em Albury. Autoridades ainda procuram cinco pessoas desaparecidas. Em várias cidades da costa leste da Austrália, a população acuada buscou refúgio nas praias.

Em Mallacoota, no Estado de Victoria, a 500 quilômetros de Melbourne, cerca de 4 mil pessoas, incluindo turistas, fugiram para as praias. Muitos recorreram a barcos e botes salva-vidas para escapar do fogo.

O céu ficou vermelho, a temperatura chegou a 49;C e os ventos atingiram 80 quilômetros por hora. A cidade de pouco mais de 1.000 habitantes é parte da região de East Gippsland, cercada por parques nacionais, dos quais pelos menos 2 mil quilômetros quadrados já foram consumidos por cerca de 300 incêndios.

Em Batesman;s Bay, cidade de 11 mil habitantes em New South Wales, várias estradas tiveram de ser fechadas em razão do fogo e muitos habitantes também tiveram de ser retirados pelas praias. As mesmas cenas se repetiram em Bermagui e Jervis Bay. Ao todo, cerca de 100 mil pessoas ficaram desabrigadas nos últimos dias. Além dos prejuízos financeiros - ainda por calcular -, o fogo obrigou outras 30 mil a passar a virada do ano sem eletricidade e sinal de celular.

"Esta é a pior temporada de incêndio já registrada na Austrália", disse Shane Fitzsimmons, comissário do Serviço de Incêndio Rural de New South Wales. Segundo ele, a dimensão dos prejuízos só poderia ser dada quando o fogo estiver sob controle. "Precisamos nos preparar para um número considerável de propriedades e casas que foram destruídas", afirmou.

O fogo atingiu também em cheio a política australiana. Em sua mensagem de ano-novo, o primeiro-ministro, Scott Morrison, do Partido Liberal, disse que o impacto dos incêndios era "devastador" e alertou que as próximas semanas "serão difíceis". "Gostaria que tivéssemos notícias melhores na véspera do ano-novo", disse o premiê. "O que pode nos consolar é o espírito incrível dos australianos. Já enfrentamos desastres antes e conseguimos superar."

A oposição, no entanto, responsabiliza o governo de Morrison pela reação lenta à crise que se arrasta desde agosto. O líder trabalhista, Anthony Albanese, pediu uma reunião de emergência do Conselho de Estado - que reúne autoridades federais e estaduais. "O primeiro-ministro diz que o conselho não precisa de se reunir até março. Isso não é aceitável."

Albanese criticou até a tradicional queima de fogos de Sydney, que o governo de Morrison autorizou. "Entendo que o evento é importante para a nossa economia. Mas, em tempos como esse, é problemático levar uma festa adiante."
Já a prefeita de Sydney, Clover Moore, que não tem partido nenhum, disparou contra o ministro da Energia, o liberal Angus Taylor, responsável pelo corte nas emissões de carbono, que dias atrás se disse "orgulhoso" das metas alcançadas pela Austrália. "Está muito claro que a culpa dos incêndios é da mudança climática", afirmou a prefeita. "A Austrália está em chamas e somo um dos países que mais contribui para o aquecimento global. Por isso, o governo federal fracassou na sua política de redução de emissões de carbono." (Com agências internacionais)


As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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