Mundo

Trump ameaça Irã com represálias, e Iraque, com sanções

Trump justificou seu ataque contra Soleimani, argumentando que o general preparava ataques "iminentes" contra diplomatas e militares americanos

Agência France-Presse
postado em 06/01/2020 10:05
Trump ameaça destruir 52 alvos iranianos, o mesmo número de reféns mantido por mais de um ano na embaixada americana, em 1979, na capital iranianaO presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou, neste domingo (5/1), adotar "represálias importantes" contra Teerã ante um eventual ataque iraniano contra instalações americanas no Oriente Médio.

"Se fizeram alguma coisa, haverá grandes represálias", ameaçou Trump a bordo do avião presidencial, ao retornar da Flórida para Washington.

O presidente americano também ameaçou o Iraque com sanções "muito grandes", se aquele país obrigar as tropas americanas a deixarem seu território, após o Parlamento de Bagdá ter votado, ontem, em favor da expulsão das forças mobilizadas por Washington.

Trump justificou seu ataque contra Soleimani, argumentando que o general preparava ataques "iminentes" contra diplomatas e militares americanos.

Desde o assassinato, na sexta-feira (3/1), do general Qassem Soleimani, arquiteto da estratégia iraniana para o Oriente Médio, e de Abu Mehdi al-Muhandis, número dois da coalizão de paramilitares pró-Irã Hashd al-Shaabi, o mundo teme um conflito. E as declarações de Trump não contribuíram em nada para acalmar estas preocupações.

Por um lado, Teerã clama por "vingança". Por outro, Trump ameaça destruir 52 alvos iranianos, o mesmo número de reféns mantido por mais de um ano na embaixada americana, em 1979, na capital iraniana.

No domingo à noite, como já havia ocorrido na véspera, vários foguetes caíram perto da embaixada americana em Bagdá, na Zona Verde, sem causar vítimas.

Os assassinatos de Soleimani e de Al-Muhandis geraram um incomum consenso contra os Estados Unidos no Iraque, país palco há meses de protestos contra a corrupção do governo e a ingerência do Irã.

No Parlamento, diante da ausência dos deputados curdos e da maioria de deputados sunitas, vários representantes gritaram "Não aos Estados Unidos".

Depois da decisão parlamentar, Trump ameaçou o Iraque com sanções "muito grandes".

"Farão as sanções contra o Irã parecerem quase fracas", completou.

"Decisão adotada"

O chefe do Parlamento, Mohamed al Halbusi, leu uma decisão que "obriga o governo a preservar a soberania do país, retirando seu pedido de ajuda", lançado para a comunidade internacional para combater o grupo extremista Estado Islâmico (EI).

A coalizão internacional antijihadista liderada por Washington anunciou ter "suspendido" o combate contra o EI, para se dedicar "totalmente" à proteção de suas tropas.

[SAIBAMAIS]Enquanto dos 168 deputados presentes - do total de 329 -, alguns reivindicavam uma votação, Halbusi anunciou: "Decisão adotada". Depois, retirou-se.

A votação foi elogiada pelo Irã, que considerou que, "com a adoção desta lei, a manutenção da presença americana o Iraque equivale a uma ocupação".

As brigadas Kataeb Hezbollah, a facção mais radical do Hashd al-Shaabi, pediram aos soldados iraquianos que se afastem, a partir de domingo à noite, "pelo menos 1 mil metros" dos lugares onde os militares americanos estão estacionados. O anúncio dá a entender que estes locais podem ser alvo de ataques. Os EUA têm cerca de 5.200 soldados no Iraque.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, criticou firmemente a ameaça.

O movimento xiita libanês Hezbollah, cujos homens lutam ao lado do governo sírio e de seu aliado iraniano, pediu ao Iraque que se liberte da "ocupação" dos Estados Unidos. Disse ainda que o Exército americano "pagará o preço pelo assassinato" de Soleimani.

Diante do aumento das tensões, Washington já havia anunciado, recentemente, o envio extra de algo em torno de 3 mil a 3.500 soldados para a região.

Bagdá convocou o embaixador americano para denunciar "uma violação da soberania do Iraque" com "operações militares ilegítimas [...] que podem levar a uma escalada de tensões na região".

No domingo, uma multidão desfilou nas cidades iranianas de Ahvaz (sudoeste), Zankhan (nordeste) e Mashhad (nordeste), recebendo o caixão de Soleimani entre clamores de "Morte aos Estados Unidos". Essa palavra de ordem também foi ouvida no Parlamento iraniano.

O movimento continuou nesta segunda-feira (6/1), nas ruas de Teerã, com um mar de gente reunido para acompanhar as cerimônias em homenagem a Qassem Soleimani.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação