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Militares pedem que moradores deixem suas casas na Austrália

A temporada de incêndios, especialmente precoce e violenta este ano, já deixou 26 mortos na Austrália, destruiu uma superfície equivalente à ilha da Irlanda e destruiu mais de 2 mil casas

Agência France-Presse
postado em 09/01/2020 07:52
Os soldados iam de casa em casa na cidade de Parndana, para pedir aos moradores que deixem a regiãoOs militares estão indo de casa em casa nesta quinta-feira (9/1), pedindo aos habitantes de uma ilha no sul da Austrália que fujam dos incêndios que podem piorar nos próximos dias, devido a uma nova onda de calor.

A temporada de incêndios, especialmente precoce e violenta este ano, já deixou 26 mortos na Austrália, destruiu uma superfície equivalente à ilha da Irlanda e destruiu mais de 2 mil casas.

Nesta quinta-feira, os soldados iam de casa em casa na cidade de Parndana, na ilha Kangaroo, sudoeste de Adelaide, para pedir aos moradores que deixem a região, diante da ameaça de novos incêndios mortais. Nessa área, o termômetro já atingiu 38;C.

"As condições são tais, que o risco é importante para os bombeiros que lutam para controlar os incêndios e para qualquer pessoa que esteja no local", disse Mark Jones, do Corpo de Bombeiros.

"Situação muito perigosa"

As autoridades do estado vizinho de Victoria também estenderam o estado de catástrofe natural por mais dois dias. As altas temperaturas esperadas para sexta-feira podem alimentar os incêndios.

"Teremos que enfrentar uma situação muito perigosa e muito ativa nas próximas 12, 24 e 36 horas", disse Andrew Crisp, uma autoridade do estado, cuja capital é Melbourne.

O primeiro-ministro de Victoria, Daniel Andrews, alertou a população para que se prepare para um longo desafio. "Estamos apenas no começo do que será um verão muito, muito duro", disse ele.

[SAIBAMAIS]Embora tenha havido uma breve trégua no início da semana, graças a temperaturas mais baixas e a alguma chuva, quase 150 incêndios ainda estão ativos em Victoria e Nova Gales do Sul, os dois estados mais afetados e também os mais populosos.

"Não vamos nos empolgar com a chuva que tivemos", declarou a ministra da Polícia de Victoria, Lisa Neville. "Esses incêndios continuam a avançar, crescendo em nossa paisagem e apresentam um risco significativo para a nossa população", frisou.

Os bombeiros aproveitaram essas condições mais favoráveis para tomar medidas preventivas, como operações de limpeza e queimadas controladas.

"É preciso apenas uma faísca para o fogo acender, e é isso que nos preocupa para amanhã", disse John Cullen, também do Corpo de Bombeiros.

O Corpo de Bombeiros anunciou ainda que um helicóptero hidráulico colidiu nesta quinta com uma barragem. O piloto conseguiu escapar em segurança.

Nas áreas devastadas, alguns moradores já iniciaram as operações de limpeza e de reconstrução, que podem durar anos.

Nova Gales do Sul anunciou que destinará 1,2 bilhão de dólares australianos (680 milhões de dólares) para reparar a infraestrutura nas áreas destruídas.

A este valor, somam-se os 2 bilhões prometidos pelo governo federal para ajudar as localidades afetadas.

1 bilhão de animais mortos

Os incêndios também são uma catástrofe ecológica.

Em um estudo, o professor Chris Dickman, da Universidade de Sydney, estimou na segunda-feira que 1 bilhão de animais havia morrido, incluindo mamíferos, aves, répteis, insetos e invertebrados.

"A destruição atual, tão rápida e em uma área tão ampla, não tem comparação. É um fato monstruoso em termos de área de superfície e também em relação ao número de animais afetados", disse ele, apontando a mudança climática como uma das causas.

"Às vezes, se diz que a Austrália é como o canário que se colocava na mina de carvão para indicar se havia perigo", acrescentou.

"Provavelmente, observamos na Austrália o que resultará das mudanças climáticas em outras regiões do mundo", completou.

Na Austrália, 2019 foi o ano mais quente e seco já registrado. O dia 18 de dezembro foi o mais quente até hoje, com uma média nacional de 41,9;C.

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