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Correio Braziliense

Estado Islâmico anuncia 'nova fase' de ataques com Israel como alvo

Anúncio foi feito no mesmo dia em que o presidente americano apresentou um plano de paz regional considerado histórico por Israel, mas rejeitado pelos palestinos


postado em 27/01/2020 14:42

Primeiro-ministro palestino pediu à comunidade internacional que boicote o plano americano de paz regional(foto: Emmanuel DUNAND / AFP)
Primeiro-ministro palestino pediu à comunidade internacional que boicote o plano americano de paz regional (foto: Emmanuel DUNAND / AFP)
Em uma mensagem de áudio divulgada nesta segunda-feira (27/1), o grupo radical Estado Islâmico (EI) afirmou que vai lançar uma "nova fase" de sua "jihad", visando especificamente a atingir Israel.

O anúncio foi feito no mesmo dia em que o presidente americano, Donald Trump, recebe seu amigo Benjamin Netanyahu, antes de apresentar um plano de paz regional considerado histórico por Israel, mas rejeitado pelos palestinos.

O novo chefe do EI, Abu Ibrahim al-Hashemi al-Qurachi, está "determinado a entrar em uma nova fase que nada mais é do que combater os judeus e devolver o que roubaram dos muçulmanos", diz Abu Hamza El-Qurachi nesta mensagem de 37 minutos publicada no aplicativo Telegram.

"Os olhos dos soldados do califado, onde quer que estejam, ainda estão fixos em Jerusalém", acrescentou o porta-voz do EI.

"Nos próximos dias, se Deus quiser, vocês verão (...) o que os fará esquecer os horrores" do passado, disse Abu El-Qurachi, aludindo a um possível ataque.

A AFP não conseguiu autenticar imediatamente a mensagem, mas a gravação foi transmitida nos órgãos de propaganda habituais do grupo nas redes sociais.

Antes de sua derrota territorial em março de 2019, a organização jihadista chegou a controlar um vasto "califado" autoproclamado, abrangendo Síria e Iraque, que contavam com sete milhões de habitantes. 

O grupo imprimia sua própria moeda, arrecadava impostos e dirigia programas escolares.

Sob o efeito das operações militares combinadas das forças sírias e iraquianas apoiadas por seus respectivos aliados, esse vasto território encolheu antes de ser varrido do mapa.

O EI mantém uma presença significativa na Síria e no Iraque ao redor do rio Eufrates e no deserto adjacente.

O grupo também possui várias filiais na África e na Ásia, que ainda realizam ataques mortais. É atuante, principalmente, na península egípcia do Sinai, na fronteira com Israel, e que os israelenses ocuparam por 15 anos após a guerra árabe-israelense de 1967.

Nesta segunda-feira, o porta-voz do EI criticou o "plano Trump" sobre a paz no Oriente Médio. "Para os muçulmanos na Palestina e em todo mundo (...) sejam a ogiva da luta contra os judeus", declarou em sua mensagem.

Ele instou os combatentes do EI, em especial os da Síria e do Sinai, a transformarem os assentamentos judeus em "campos de testes" para suas armas e "foguetes químicos".

Hoje, cerca de 600.000 colonos israelenses vivem em assentamentos em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia ocupada, com aproximadamente três milhões de palestinos.

Em junho, os Estados Unidos apresentaram o componente econômico de seu plano de paz, que prevê cerca de US$ 50 bilhões em investimentos internacionais nos Territórios Palestinos e nos países árabes vizinhos ao longo de dez anos.

Segundo os palestinos, o plano americano inclui a anexação por parte de Israel do Vale do Jordão, uma vasta área estratégica da Cisjordânia, e assentamentos nos territórios palestinos, além do reconhecimento oficial de Jerusalém como a capital indivisível de Israel.

Desde o reconhecimento, em dezembro de 2017, por Trump, de Jerusalém como capital de Israel, que os líderes palestinos cortaram o contato formal com a Casa Branca.

Nesta segunda-feira, o primeiro-ministro palestino, Mohammed Shtayyeh, pediu à comunidade internacional que boicote o plano americano.

Este plano "não passará" e pode até levar os palestinos a uma "nova fase" de sua luta, alertou o líder do movimento Hamas, Ismail Haniyeh.

Donald Trump anunciou em 27 de outubro a morte do ex-líder do EI Abu Bakr al-Baghdadi durante uma operação no noroeste da Síria.

Pouco depois, o grupo designou Abu Ibrahim al-Hashemi al-Qurachi como o novo "califa dos muçulmanos". Este último era desconhecido dos analistas, e muitos duvidavam de sua existência.

A organização agora é chefiada por Amir Mohamad Abdel Rahman al-Maula al-Salbi, disse recentemente o jornal britânico "The Guardian", citando autoridades de dois serviços de Inteligência não especificados.

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