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Correio Braziliense

Manifestantes iraquianos se mantém firmes, apesar de medo de escalada

Manifestantes antigovernamentais reconstruíram hoje campos de protestos em todo o Iraque, buscando manter o ímpeto de um movimento em andamento desde 1º de outubro


postado em 27/01/2020 17:07 / atualizado em 27/01/2020 17:21

Protestando inicialmente contra a falta de empregos, maus serviços e corrupção, manifestantes agora exigem eleições instantâneas, um premier independente e a acusação dos envolvidos em corrupção ou derramamento de sangue recente.(foto: AHMAD AL-RUBAYE / AFP)
Protestando inicialmente contra a falta de empregos, maus serviços e corrupção, manifestantes agora exigem eleições instantâneas, um premier independente e a acusação dos envolvidos em corrupção ou derramamento de sangue recente. (foto: AHMAD AL-RUBAYE / AFP)
Manifestantes hostis ao governo retomaram nesta segunda-feira os protestos no Iraque, numa tentativa de reanimar seu movimento após um ataque com foguetes contra a embaixada americana em Bagdá, que deixou um ferido.

Ninguém assumiu a responsabilidade pelos ataques, mas os Estados Unidos acusaram grupos militares apoiados pelo Irã.

Este último ataque suscitou temores de um conflito entre o Irã e os Estados Unidos em território iraquiano, semanas após as tensões provocadas pelo assassinato, em 3 de janeiro em Bagdá, do general iraniano Qassem Soleimani por Washington.

Os manifestantes temem que essas ações possam desviar a atenção de seu movimento, inédito por sua espontaneidade.

Também temem uma ofensiva de poder depois de perder o apoio do poderoso clérigo xiita Moqtada Sadr, que inicialmente apoiou as manifestações, mas depois mudou radicalmente sua postura.

Os estudantes assumiram o comando, reunindo milhares em Bagdá e na região sul do país, de maioria xiita, insistindo em suas reivindicações e afirmando sua independência política.

"Quando iniciamos os protestos não nos comprometemos com os objetivos de Sadr ou de qualquer outro político", disse Zainab Mohammad, estudante universitário da cidade sagrada de Karbala.

"Estamos por conta própria e continuaremos até que nossas demandas sejam atendidas", afirmou.  

Os manifestantes pedem eleições antecipadas, um sucessor independente para o primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi e que os envolvidos em atos recentes de violência sejam julgados.

Irritados com a falta de progresso, aumentaram a pressão há uma semana, bloqueando ruas com pneus e construindo barricadas.

A polícia de choque respondeu reforçando as patrulhas e fazendo uso de gás lacrimogêneo.

Nesta manhã, homens armados não identificados invadiram um acampamento de manifestantes em Nasiriyah, no sul, e queimaram tendas, disse um correspondente da AFP.

Os agressores atiraram nos ativistas que dormiram, mataram um e feriram outros quatro, segundo uma fonte médica. 

Horas depois, os manifestantes ergueram novas tendas.

Na rica cidade petrolífera de Basra, onde a pobreza reina, os manifestantes ergueram novamente as barracas desmontadas pelas autoridades no fim de semana. 

O principal acampamento na cidade sagrada xiita de Najaf também foi incendiado ao amanhecer por homens armados não identificados, mas os manifestantes voltaram a se manifestar, bloqueando estradas.

No início da tarde, uma marcha fúnebre percorreu a cidade em homenagem ao jovem morto no início da manhã em Nasiriyah, e que foi identificado como Ali Zuweir, de 14 anos.

O aumento da violência esta semana causou a morte de 21 manifestantes, elevando o saldo de vítimas desde outubro para 480, a maioria manifestantes. 

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