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Correio Braziliense

Sobreviventes de Auschwitz lançam alerta, 75 anos após libertação

Mais de 200 sobreviventes participaram do ato para honrar a memória de mais de 1,1 milhão de vítimas do nazismo


postado em 27/01/2020 17:21 / atualizado em 27/01/2020 17:25

Sobreviventes de todo o mundo foram para o campo que os nazistas construíram em Oswiecim, na então ocupada Polônia, para compartilhar seu testemunho como um forte aviso em meio a uma recente onda de ataques anti-semitas nos dois lados do Atlântico.(foto: Janek SKARZYNSKI / AFP)
Sobreviventes de todo o mundo foram para o campo que os nazistas construíram em Oswiecim, na então ocupada Polônia, para compartilhar seu testemunho como um forte aviso em meio a uma recente onda de ataques anti-semitas nos dois lados do Atlântico. (foto: Janek SKARZYNSKI / AFP)
Passados 75 anos da libertação de Auschwitz, sobreviventes do Holocausto, hoje menos numerosos, se reuniram no local, nesta segunda-feira (27/1), para honrar a memória de mais de 1,1 milhão de vítimas - principalmente judeus - e lançar um alerta ao mundo frente ao ressurgente antissemitismo.

Procedentes do mundo inteiro, são mais de 200 sobreviventes neste antigo campo de concentração nazista de Auschwitz, situado no sul da Polônia. Lá, compartilharam seus testemunhos no intuito de chamar atenção para a recente onda de ataques antissemitas dos dois lados do Atlântico - alguns letais.

Com gorros e lenços listrados de azul e branco, simbolizando os uniformes destes prisioneiros no campo, atravessaram, com tristeza, o célebre portal de ferro com a inscrição "Arbeit macht frei" ("O trabalho liberta", em tradução livre do alemão para o português). Acompanhados do presidente polonês, Andrzej Duda, depositaram coroas de flores perto do "muro da morte", onde os nazistas mataram milhares de pessoas.

"Queremos que a próxima geração saiba o que nós vivemos e que isso não aconteça nunca mais", declarou com a voz embargada pela emoção o sobrevivente de Auschwitz David Marks, de 93 anos, antes de uma cerimônia no domingo de manhã.

A cerimônia ocorreu em uma grande tenda erguida em frente ao prédio de tijolos vermelhos chamado "Porta da Morte".

Membros da realeza, presidentes e primeiros-ministros de cerca de 60 países, embora nenhum deles das grandes potências, encontraram-se com os sobreviventes em Auschwitz e, ao cair da noite, seguraram velas que brilhavam no escuro enquanto desciam a estrada de ferro onde os judeus da Europa chegaram às câmaras de gás. 

Eles depositaram velas e oferendas de flores na Porta da Morte, onde os nazistas mataram milhares de prisioneiros.

"Auschwitz não caiu de repente do céu, Auschwitz avançou lentamente passo a passo até chegar ao que aconteceu aqui", disse Marian Turski, 93, uma sobrevivente judia polonesa do campo, que pediu vigilância contra a violação de direitos minorias, que é crucial para salvaguardar a democracia e impedir o genocídio

"Não sejam indiferentes!", pediu Turski aos convidados da cerimônia.

"Muitas pessoas, em muitos países, tornaram possível a existência de Auschwitz", disse o presidente do Congresso Judaico Mundial Ronald Lauder em discurso. 

"Praticamente, os outros países europeus ajudaram os nazistas a reunir cidadãos judeus", acrescentou. 

"É vergonhoso que, 75 anos depois, (sobreviventes de Auschwitz) agora vejam seus netos novamente enfrentando o mesmo ódio, que não deve ser tolerado", acrescentou Lauder, enfatizando o aumento da retórica e da violência antissemita nos Estados Unidos e na Europa.

A partir de meados de 1942, os nazistas deportaram sistematicamente judeus de toda Europa para seis grandes campos de extermínio: Auschwitz-Birkenau, Belzec, Chelmno, Majdanek, Sobibor e Treblinka.

'Sem política'

Os organizadores insistem no fato de que a cerimônia comemorativa de hoje deve se concentrar no que os sobreviventes têm a dizer, e não nas divergências políticas que marcaram os preparativos da data.

"Trata-se dos sobreviventes, não se trata de política", declarou Ronald Lauder, presidente do Congresso Judaico Mundial, neste ex-campo de concentração hoje transformado em memorial e museu, administrados pela Polônia.

"Observamos o impulso do antissemitismo, e não queremos que seu passado (o dos sobreviventes) seja o futuro de seus filhos, ou o futuro de seus netos", completou.

Chefes de Estado e de governo de quase 60 países assistirão à cerimônia de hoje, que contará com a ausência dos líderes das grandes potências mundiais. Estes últimos participaram, na última quinta-feira, de uma cerimônia semelhante em Jerusalém.

O presidente polonês, Andrzej Duda, recusou-se a ir a Jerusalém, depois de saber que não poderia fazer um pronunciamento junto com as demais autoridades. Já o presidente russo, Vladimir Putin, teve um papel de protagonismo.

Em dezembro, Putin causou indignação na Polônia e no Ocidente após afirmar que este país foi conivente com o ditador nazista Adolf Hitler e contribuiu para a deflagração da Segunda Guerra Mundial.

Duda deve discursar nesta segunda-feira.

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