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Correio Braziliense

Reino Unido autoriza participação restrita da Huawei na rede 5G

A gigante chinesa de telecomunicações está presente nas redes britânicas há 15 anos. Os Estados Unidos têm exigido que muitos países europeus excluam a Huawei de suas redes


postado em 28/01/2020 11:09

Apesar da pressão dos Estados Unidos, UE não proibirá a Huawei, mas impõe regras 5G 'estritas'.(foto: Tobias SCHWARZ / AFP)
Apesar da pressão dos Estados Unidos, UE não proibirá a Huawei, mas impõe regras 5G 'estritas'. (foto: Tobias SCHWARZ / AFP)
O governo britânico decidiu nesta terça-feira (28/1) conceder acesso limitado à sua rede 5G aos fabricantes de equipamentos de telecomunicações "de alto risco", a saber, o grupo chinês Huawei, que imediatamente disse estar "tranquilizado". 

Londres estava sob forte pressão americana para excluir a Huawei, uma vez que Washington acusa a gigante chinesa de espionar em nome de Pequim.

O governo britânico acabou decidindo, como havia sugerido nos últimos dias, que limitará o acesso de fabricantes de "alto risco" às suas redes 5G, mas não as excluiria.

Em uma declaração que não menciona claramente a Huawei emitida após uma reunião do Conselho de Segurança Nacional presidida pelo primeiro-ministro Boris Johnson, o Ministério da Cultura, Mídia e Digital anunciou que atores de "alto risco" serão "excluídos de partes sensíveis do coração da rede 5G" e estarão sujeitos a um limite de 35% em sua participação em partes não estratégicas.

"Os ministros concordaram que as operadoras britânicas devem estabelecer salvaguardas adicionais e excluir provedores de alto risco de certas partes de suas redes de telecomunicações que são críticas para sua segurança", afirma o comunicado.

Portanto, esses fabricantes de equipamentos serão "excluídos de toda a infraestrutura crucial para a segurança nacional, de funcionalidades centrais e sensíveis da rede, de áreas geográficas sensíveis, em especial perto de locais nucleares e bases militares, e com uma participação" limitada a 35% na rede periférica.

Em um comunicado em separado, a Huawei disse estar "tranquilizada pela confirmação do governo britânico de que podemos continuar trabalhando com nossos clientes para continuar a implantação do 5G".

A gigante chinesa de telecomunicações está presente nas redes britânicas há 15 anos, principalmente nas infraestruturas 4G da Vodafone e da BT.

As operadoras de telecomunicações disseram que excluir a Huawei seria caro e atrasaria a migração para o 5G.

Pressão dos EUA
Os Estados Unidos têm exigido que muitos países europeus, em particular o Reino Unido, excluam a Huawei de suas redes, acusando o grupo de manter laços estreitos com o governo chinês e alertando para o risco de espionagem. A Huawei sempre rebateu essas acusações.

Ao autorizar sua participação, mesmo que limitada, Johnson corre o risco de irritar Washington em um momento em que o Reino Unido espera fortalecer seus laços bilaterais, tendo em vista as negociações para um ambicioso acordo comercial após o Brexit.

As autoridades americanas não pouparam esforços para tentar fazer com que Londres cumprisse suas exigências, entre reuniões a portas fechadas e avisos do secretário de Estado Mike Pompeo, que chamou a iminente decisão britânica de "fundamental".

O próprio Johnson falou ao telefone na sexta-feira com o presidente Donald Trump.

Este mês, o primeiro-ministro já havia avisado que existem poucas alternativas à Huawei, dada a sua vantagem tecnológica sobre suas concorrentes.

Além disso, se o grupo chinês fosse excluído, seria necessário eliminar suas estações base da infraestrutura 4G existente, o que seria oneroso e impactaria as contas dos clientes, além de atrasar a migração para o 5G.

Os serviços de segurança britânicos garantiram que é possível trabalhar com a fabricante chinesa sem comprometer a segurança.

Ainda assim, a abertura para a Huawei preocupa alguns no Parlamento de Westminster e dentro do governo.

Enquanto o ministro das Finanças, Sajid Javid, posicionou-se a favor, outros pesos pesados, como o ministro do Interior, Priti Patel, e o ministro da Defesa, Ben Wallace, foram contrários.

Austrália e Japão seguiram o exemplo dos Estados Unidos proibindo a Huawei, mas os países europeus parecem divididos. 

Já a maioria dos grandes mercados emergentes, liderados pelo Brasil e pela Índia, está abrindo os braços para a fabricante chinesa.

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