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Estudantes e professores criam jogo para ajudar a achar cura do coronavírus

O Foldit também conta com quebra-cabeças para outras doenças, como o HIV, e problemas nunca resolvidos de biomedicina

Agência Brasil
postado em 07/03/2020 14:29
O Foldit também conta com quebra-cabeças para outras doenças, como o HIV, e problemas nunca resolvidos de biomedicinaA luta contra o coronavírus ganhou um aliado inusitado. Desenvolvido desde 2008 por alunos, professores e entusiastas do Centro de Ciência de Jogos da Universidade de Washington, o jogo Foldit (Dobre-o, em tradução livre) recebeu uma atualização nesta semana que permite aos jogadores tentarem descobrir uma forma de neutralizar o Covid-19.

O coronavírus é batizado assim por ter uma espécie de ;coroa de espinhos; em sua estrutura externa. Esses espinhos se fixam às células como carrapatos e usam uma proteína presente nas membranas celulares saudáveis como cola. Com a conexão, o vírus tem acesso ao interior da estrutura e consegue se reproduzir. Esse processo já é conhecido e descrito por pesquisadores da Universidade de Washington.

O quebra-cabeça apresentado pelo game Foldit entra exatamente aí: o objetivo do jogador é dobrar aminoácidos de forma a criar uma molécula que anule a conexão dos espinhos do coronavírus às proteínas das células saudáveis. Parece complicado? Um dos criadores do quebra-cabeça, o cientista Brian Koepnick, garante no vídeo de apresentação do game que não é necessário nenhum conhecimento biológico ou científico para jogar, apenas raciocínio lógico e, claro, tempo livre.

De acordo com Koepnick, usuários que conseguirem ;resolver; o dilema da proteína-espinho do Covid-19 terão a partida analisada pelo Instituto de Criação de Proteína da Universidade de Washington. ;Tem havido muita pesquisa sobre o coronavírus. Estamos muito empolgados de poder dar aos jogadores a oportunidade de ajudar a entender [o vírus].

É importante enfatizar que testes de laboratório demoram muito e que leva muito tempo para analisar essas moléculas [criadas pelos jogadores]. Precisamos saber se são seguras e eficazes contra o coronavírus;, afirmou o pesquisador. Koepnick explicou que esse é apenas o primeiro passo na descoberta de proteínas antivirais que podem acabar com a epidemia. ;O poder de computação dos jogadores é igual, ou talvez superior, ao de supercomputadores;, disse.

De acordo com a documentação do aplicativo, Foldit é uma solução divertida para tentar resolver uma das maiores questões computacionais da biologia: a dobra de proteínas. As proteínas são pequenas ;máquinas; que executam instruções do organismo em todos os sistemas do corpo humano. Elas são formadas por cadeias complexas de aminoácidos, que se amontoam para construir a estrutura. A forma como eles se dispõem é a ;dobra;.

O Foldit também conta com quebra-cabeças para outras doenças, como o HIV, e problemas nunca resolvidos de biomedicina. O aplicativo é grátis, sem fins lucrativos e pode ser baixado no site oficial para Windows, MacOS, Linux, iOS e Android.


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